
Foto MonteCara Soncent, FaceBook
Menininha d’ Monte Sossego
Es ca tem vot’ es ca tem fama
Cosa q’es sabê é critica
Na camim de Plurim d’ pexe e Vascona
Es é perigosinha de boquinha
Quas é sês dom natural
Es é fraquinha de boquinha
Talvez é sês merecimento
Sês vida é scuti riola
Es ca tem mas nada q’fazê
Se um dia es cai na loce
Es ta ba dritim pa gaiola
– Frank Cavaquim
Resposta Menininhas de Monte Sossego
Quês mninina de Monte Sossego
Pá tude manera ês tem perdão
Ca bocês fala mal dêss
Pamod ês ta tude na sês razon
Ês ta bêm té morada
Limpinhas d’ certeza
Se es fazê fantasia
Tud êss ta na moda
Criticá é falso quês pôs
Talvez alguém que crê-s mal
Ó Frank bô ê tão mau
Deus ta na céu quê pal oiá
– Manuel de Novas
Quão agradável é ler o crioulo da minha ilha natal e ouvir as suas mornas e coladeiras!
O crioulo de S. Vicente, ou, se quiserem, o do Barlavento, tem uma força e uma implantação tão imperecíveis na nossa viva social e na nossa expressão musical e em outras manifestações culturais, que me parece absurdo alguém imaginar que será viável a imposição do padrão de Santiago como sustentáculo de uma futura língua oficial cabo-verdiana. Quando eu admitia que ainda estávamos na incipiência de um estudo de possibilidades, tudo indicando que estava derrogado, ou pelo menos suspenso, o espúrio projecto do Manuel Veiga, eis que o Primeiro-Ministro resolve exprimir-se em crioulo de Santiago na ONU. Para mais, apanhando certamente de surpresa a Presidente do Brasil, que abriu a sessão discursando na língua comum a todos os países que integram a CPLP. Será que os outros membros da CPLP vão começar a olhar-nos de soslaio, a interrogar-se sobre as nossas reais intenções?