O achismo tomou a palavra

      Cabo Verde fala muito, comenta muito, opina muito. As redes sociais abriram uma praça permanente, onde cada cidadão pode dizer a sua palavra. Isso representa um ganho democrático. A dificuldade começa quando a palavra pública se afasta da leitura, do estudo e da responsabilidade, nascendo mais da pressa do que da reflexão.

O Meu Tio-Irmão Mais Velho

  Maquete da Foto-Homenagem do Club Derby     A notícia chegou no dia seguinte à chegada das minhas netas dos Estados Unidos.   A casa ainda estava cheia de vozes, abraços, risos e daquela alegria que só os reencontros familiares sabem trazer. Havia dias que aguardávamos por aquele momento. As meninas tinham finalmente chegado

Crioulidade: Quando uma Ideia Ganha Mundo

    As ideias também têm geografia.   Começam pequenas, circulam entre poucos, experimentam palavras, mudam de forma e, quase sem anúncio, começam a ocupar espaço. Um dia percebemos que já saíram dos livros, atravessaram conversas e entraram na praça pública. Não porque alguém lhes tenha aberto caminho por decreto, mas porque ganharam capacidade de

Praia: A Cidade que se Lê em Passos

    Entre miradouros, praças, lavadouros, liceus e antigas artérias estruturantes, a Cidade da Praia guarda nas suas ruas séculos de poder, memória e transformação nacional. Percorrer o seu Centro Histórico significa acompanhar a própria construção política de Cabo Verde, desde a deslocação das antigas centralidades insulares até à afirmação da capital soberana. Neste percurso,

Brava Atlântica: Fé, Cultura e Protestantismo

    Na segunda metade do século XIX, a ilha Brava vivia uma realidade social, económica e cultural singular no contexto cabo-verdiano. A forte ligação marítima com os Estados Unidos, sobretudo através da baleação e da navegação mercante, fez da Brava uma das ilhas mais marcadas pela emigração, pela circulação atlântica e por uma crescente

Universidade pública: pluralismo ou instrumentalização?

    No Brasil, professores, investigadores e intelectuais voltaram recentemente a defender pluralismo e liberdade académica. O debate recordou uma evidência simples: universidade viva depende de pensamento livre, confronto de ideias e abertura à diferença. Quando esses pilares enfraquecem, a instituição preserva fachada, multiplica solenidades e começa discretamente a perder alma crítica.   Em Cabo