Livros que viajam

Sobre discursos presidenciais em tournée e livros que raramente saem do lugar Em Cabo Verde, os livros viajam pouco. Publicam-se, apresentam-se uma vez – às vezes duas – e regressam depois ao seu destino habitual: a discreta permanência nas prateleiras. O ensaio vive assim, entre alguns leitores fiéis e muita indiferença pública. Não é apenas

A Palavra ganhou corpo

Há um momento particular na vida de um livro: aquele em que a reflexão deixa de habitar apenas o silêncio da escrita e passa a existir como presença no mundo. Chegou o primeiro exemplar de Para uma História das Ideias Cabo-verdianas – Palavra, Cultura e Consciência Histórica. Este ensaio revisita quase um século de pensamento

Africanidade ou Crioulidade? Um falso dilema cabo-verdiano

Cabo Verde no Atlântico Pensar Cabo Verde não é escolher entre pertenças, mas compreender a trajectória histórica que as tornou inseparáveis. Há perguntas que regressam porque permanecem por esclarecer. Africanidade ou crioulidade? A interrogação reaparece no debate público cabo-verdiano como se a identidade nacional dependesse de uma opção ainda por fazer. Não depende. Mais do

Val, Memória de Amizade

A cadeira ficou. A amizade também. A amizade é a memória viva do coração Há dias em que a escrita custa mais. Este é um deles. Partiu esta semana o Val – Valdemar Pereira, amigo antigo da minha família e, muito particularmente, grande amigo da minha Mãe Xanda. Dessa amizade recebi também a sua estima,

O sinal da ironia

Há tempos, numa conversa com a editora de Germano Almeida, surgiu uma observação que me ficou na memória. Muitos alunos lêem os seus livros como se tudo fosse literal. Seguem a história, acompanham as personagens, mas deixam escapar aquilo que, na verdade, sustenta grande parte da arquitectura da escrita: a ironia. A ironia não é

Claridade, 90 anos: a aprendizagem do olhar próprio

Em Março de 1936, quando surge Claridade em São Vicente, Cabo Verde existia como território administrado, mas ainda não se tinha assumido plenamente como sujeito de pensamento. Era descrito a partir de fora, enquadrado em categorias alheias, explicado por narrativas que raramente partiam da sua experiência concreta. A revista não apresentou manifesto nem proclamou rupturas