1 comentário em “Grandes Poetas da Lusofonia em Estátua”

  1. Ela veio do mato
    e confundiu
    as estrelas com as luzes da cidade
    Na cidade
    os seus olhos eram duas estrelas

    Aquela cidade era um mar
    era a sua morte
    E na cidade brilhante
    que é um mundo, um mar
    Kalunga!
    Onde em cada rua partem navios
    para longe de cada homem
    Perdeu duas estrelas —
    Os olhos
    da linda filha dum soba da Lunda

    Oh mar eterno sem fundo sem fim
    oh mar das túrbidas vagas oh! mar
    De ti e das bocas do mundo a mim
    Se me vem dores e pragas, oh mar
    Que mal te fiz oh mar, oh mar
    Que ao ver-me pões-te a arfar, a arfar…

    Braços cruzados, fita além do mar
    Parece um promontório uma alta serra
    O limite da terra a dominar
    O mar que possa haver além da terra.
    Seu formidável vulto solitário
    Enche de estar presente o mar e céu
    E  parece temer o mundo vário
    Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu

    Suspende a zanga um momento e
    escuta
    A voz do meu sofrimento na luta
    Que o amor ascende em meu peito
    desfito
    De tanto amar e penar, oh mar. 

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