Carlos Drummond de Andrade, Copacabana, Rio de Janeiro - Brasil
Eugénio Tavares, Nova Sintra, Brava - Cabo Verde
Fernando Pessoa, Chiado, Lisboa - Portugal
1 comentário em “Grandes Poetas da Lusofonia em Estátua”
Ela veio do mato e confundiu as estrelas com as luzes da cidade Na cidade os seus olhos eram duas estrelas … Aquela cidade era um mar era a sua morte E na cidade brilhante que é um mundo, um mar Kalunga! Onde em cada rua partem navios para longe de cada homem Perdeu duas estrelas — Os olhos da linda filha dum soba da Lunda
Oh mar eterno sem fundo sem fim oh mar das túrbidas vagas oh! mar De ti e das bocas do mundo a mim Se me vem dores e pragas, oh mar Que mal te fiz oh mar, oh mar Que ao ver-me pões-te a arfar, a arfar…
Braços cruzados, fita além do mar Parece um promontório uma alta serra O limite da terra a dominar O mar que possa haver além da terra. Seu formidável vulto solitário Enche de estar presente o mar e céu E parece temer o mundo vário Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu
Suspende a zanga um momento e escuta A voz do meu sofrimento na luta Que o amor ascende em meu peito desfito De tanto amar e penar, oh mar.
Ela veio do mato
e confundiu
as estrelas com as luzes da cidade
Na cidade
os seus olhos eram duas estrelas
…
Aquela cidade era um mar
era a sua morte
E na cidade brilhante
que é um mundo, um mar
Kalunga!
Onde em cada rua partem navios
para longe de cada homem
Perdeu duas estrelas —
Os olhos
da linda filha dum soba da Lunda
Oh mar eterno sem fundo sem fim
oh mar das túrbidas vagas oh! mar
De ti e das bocas do mundo a mim
Se me vem dores e pragas, oh mar
Que mal te fiz oh mar, oh mar
Que ao ver-me pões-te a arfar, a arfar…
Braços cruzados, fita além do mar
Parece um promontório uma alta serra
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e céu
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu
Suspende a zanga um momento e
escuta
A voz do meu sofrimento na luta
Que o amor ascende em meu peito
desfito
De tanto amar e penar, oh mar.