Professor e Poeta José Lopes da Silva
(São Nicolau, 15 de Jan. de 1872 – 02 de Set. de 1962)
Natural da ilha de S. Nicolau, onde nasceu em 1872, José Lopes da Silva aprendeu a ler com o cónego Machado e estudou no Seminário-Liceu, cujo curso completou e foi aluno do cónego Joaquim da Silva Caetano.
Autodidacta, mais tarde aprendeu por si mesmo a língua inglesa. Na sua ilha natal privou com poetas e intelectuais como Custódio José Duarte e Alfredo Troni.
Sendo órfão de pai, teve que procurar trabalho desde cedo e começou por assentar praça, aos quinze anos, em 1887, na 1.ª Companhia de Polícia na Praia, onde conheceu e foi amigo dos poetas Guilherme Dantas e Luiz Medina de Vasconcelos. Depois foi colocado em S. Vicente, mas desistindo da carreira militar foi para a ilha da Boa Vista onde se casou.
Em 1891 emigrou para Angola, a convite de Alfredo Troni, que o empregou na sua fazenda de Hoco, no Cazengo, tendo também trabalhado em Oeiras, próximo do rio Lucala. Esta foi a sua única ausência do arquipélago durante toda a sua vida. Acometido por uma grave biliosa, regressou a Cabo Verde para nunca mais abandonar as suas ilhas. Voltou à cidade da Praia onde trabalhou na Casa Serra.
O Governador Serpa Pinto, que apreciou as suas qualidades literárias, nomeou-o professor do ensino primário e foi colocado na ilha da Boa Vista. Ali viveu seis anos (1894-1900) durante os quais desenvolveu uma intensa actividade cultural.
Foi transferido para a Escola Principal da Vila de Ponta de Sol, ilha de Santo Antão. Nesta ilha, onde viveu 28 anos (1900-1928) e foi professor do futuro catedrático Martinho Nobre de Melo, manteve, pelo menos desde 1900, uma escola particular do ensino das línguas francesa e inglesa e de História e Geografia, escola que o governo da província subsidiou desde aqule ano tendo em conta quer o ensino na referida escola era profícuo o que se provava pelo elevado número de alunos apresentados a exame nas matérias leccionadas pelo referido professor.
Por nomeação do Governador, que também era poeta, foi por três anos (1928-1931), professor do Liceu Infante Dom Henrique, na ilha de S. Vicente, onde se reformou e passou a viver.
Foi agente consular do Brasil e da França e possuía condecorações nacionais e estrangeiras como a comenda da Ordem do Infante Dom Henrique, que lhe foi entregue na sua própria casa pelo então ministro do Ultramar Adriano Moreira, em 1962; a Legião de Honra da França foi-lhe conferida pelo General de Gaulle (pelo seu soneto “La France”, escrito durante o período da Resistência na 2.ª Guerra Mundial); foi elevado ao grau de Pupilo do Império Japonês pelo imperador Hiro-Hito (pelo seu poema heróico em louvor do Japão a propósito da Guerra Russo-japonesa, 1905); o seu poema “Helvétia” foi declarado património da Suíça; foi admitido nas Academia Francesa, etc.
Por Decreto Presidencial N.º 3/95, de 2 de Fevereiro, foi agraciado, a título póstumo, pelo Presidente da República de Cabo Verde, Dr. António Mascarenhas Monteiro, com o Segundo Grau da Ordem do Dragoeiro e a Primeira Classe da Medalha de Mérito. Na cidade do Mindelo tem um busto em sua memória numa praça com o seu nome, perto da casa onde residiu.
– Informações recolhidas na obra de João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-Verdiana. 1820-1975. Macau, Fundação Macau e D.S.E.J., 1998


José Lopes foi para mim avô emprestado já que não conheci nem avô materno nem avô paterno e fui, durante muitos e muitos anos, desde os bancos da Escola Camões, amigo e companheiro de aventuras de seu neto Alvaro Lopes da Silva, infelizmente já desaparecido. Eu aínda era um jóvem mas recordo-o como um adepto da adjacencia para Cabo Verde, as ilhas Hesperitanas. E, se a memória me não falha, escreveu um poema em inglês dedicado à Raínha de Iglaterra, cujo título era, salvo erro, Regina Mundi. Era um homem carinhoso, calmo, conhecedor do mundo como poucos com quem era um prazer falar e aprender…Uma das muitas saudades que povoam a minha memória mindelense…Deus o terá, decerto!
Caro Zito :
Para ti procurei o poema de que falas mas não o encontrei com este titulo. Esta homenagem foi feita com outro titulo que, infelizmente, não encontro agora. No entanto pude ver o “Ode of England ” que o vate fez em 28 de Março de 1918 na Ponta do Sol. Impossível de a colocar aqui de tão grande que é e, também, na língua dos britiche “… indeed !!!
Foi com emoção que vi no teu comentário a referência ao seu neto, meu amigo e vizinho, Alvaro, um gentleman que casou com uma prima minha.
É bom ver aqui relembrado este grande vate da nossa história literária. Hesperitano, arsinário ou pré-claridoso, José Lopes é, na sua visão decantadamente localizada, um intérprete da cultura grego-latina, fiel às correntes clássicas do seu tempo, facto que, hoje em dia, o tende a amarrar ao rótulo dos que privilegiaram a universalidade em detrimento do telurismo. Mas a poesia é mesmo assim, evolui e flutua consoante as modas, pelo que é pela sua qualidade literária intrínseca que temos de olhar para José Lopes.
A impressão que se colhe é que ele era um grande autodidacta, detentor de uma rica cultura.
Amigo Valdemar,
Obrigado pelo eco e pelo interesse….Recordo com idêntica saudade, a prima Fátima, cujo pais eram primos direitos da mãe da minha mulher!
Grandes noites passamos na Achada de Santo António, quando o Álvaro era o “manda-chuva” da Italcable…Mas, “Regina Mundi” continua a martelar-me o juizo e não vou desistir até descobrir de onde me vem
esta memória, que não consigo descolar do “avô” José Lopes…
Vou ver isso contigo, Zito . Não descuro pois sou grande admirador deste Senhor com quem tive contactos que começaram quando éramos vizinhos (graças ao neto Chiquinho) e mantivemos correspondênca quando fui para Dakar. Pode-se ver isso a fls. 154 (até 158) do livro “O Teatro é uma Paixão – A Vida é uma Emoção)”.
ATREVIDAMENTE ,entro na vossa conversa ,ou seja desses dois amigos dos bons e verdadeiros tempos – cultural do Mindêlo -em que participaram com entusiasmo no seu movimento. O Valdemar Pereira e o Zito Azevedo ,para foram as pessoas com quem tive o prazer vàrias vezes, nao so em teatros , mas como também em manifestaçoes culturais ,que sucedia pràticamente quase todos os fins de semana e que me proporcionou momentos ,com o meu instrumento ,-que é trompete- a participar também ,naqueles momentos ,-como jà disse-bons e verdadeiras épocas -cultural do nosso Mindêlo- .Foi com um prazer imenso que li a vossa troca de e-mail’s ,através do texto da Fàtima Bettencourt,aqui na esquina do tempo e que espero poder vos encontrar mais vezes ,neste blog .
Aquele abraço do velho amigo ; Um criol na Frânça ;Morgadinho !..
Até que enfim!… Estou aqui no “Na Esquina”, desde o seu aniversário, em Julho passado, à espera que aparecesse! Rsss !!! Até lhe foi dedicado um post ! – http :/ brito-semedo.blogs.sapo.cv 131392.html ” http :/ brito-semedo.blogs.sapo.cv 131392.html </a> – E ainda vem com desculpas e pruridos?! Faça o favor, puxe um moxo, instale-se, beba uma água, um café do Fogo, um chá de mato ou um bom gog de Sintanton e participe da conversa! Braça pertód!
Oh Brito ; continuo a pedir desculpas, por esse longo silêncio porque na verdade ,tens razao eu devia ter aparecido neste blog ,-teu blog- Na esquina do tempo – – a mais tempo -!… Seria bastante longo explicar neste momento esta negligência ,que sinceramente ,nao tem explicaçao de forma aceitàvel . Mas costuma-se dizer ,-mais vale tarde do que nunca!..Concordas ??? Te retribuo , aquele abraço , bem pertôde !..D’Um criol na Frânça !.. Morgadinho !..
Morgadinho, meu amigo, meu irmão, meu Armstrong de estimação…Há quanto tempo, meu caro…Quanta saudade acumulada daquele bendito palco do Eden-Park onde tantas vezes partilhamos os aplausos da multidão entusiasmada pelas actuações inolvidáveis da Voz de Cabo Verde…Tu, Franck, Luis, Djosinha, gente boa, artistas de primeira água, que tantas alegrias e tanto orgulho deram ao seu povo…Vi-te, tempos atrás, numa entrevista à Televisão e recordei com toda a intensidade, cada momento do nosso passado e dos muitos momentos de prazer puro que a nossa “amante”, a música, nos proporcionou, às portas do paraíso…
Longa vida, meu amigo…Dá novas, uma vez por outra, porque a saudade também precisa de se alimentar, para se poder suportar!
Zito Azevedo
Oh Zito ; até que enfim recebo as tuas noticias. Gràças a este blog ;Na esquina do tempo , foi possivel .Meu irmao ,meu companheiro na ràdio club Mindêlo ;tu aos microfones e eu na trompete ; lembro-me perfeitamente ,fostes o locutor que apresentou o Conjunto Voz de Cabo Verde ,no cinema Eden Park ,-hoje em ruina – na sua primeira digressao a Cabo Verde , em Janeiro do ano de 1968 . Momentos inesquéciveis,que jà nao voltam mais.
Recebe aquele abraço( bem apertado) do velho amigo; Morgadinho !..
Obrigado, Morgadinho, pela resposta. Agora que temos um ponto de encontro decerto que vamos cruzar mais vezes. Se quis78nq43zeres, dá um salto ao meu blog, que se sentiria muito honrado com a tu visita –
http://www.arrozcatum.blogspot.com (http://www.arrozcatum.blogspot.com)
Um grande abraço,
Zito