Uma cimboa com o seu arco. Foto autor desconhecido
Céu é grandi, mundo é largo
Alto é monti picu ‘Ntoni
Bo dor câ tem comparaçon
Na mei’ di fúria bento lesti
Teteia bai pâ nunca más
Terra-longi di San Tomé
Nha Cumá, Toti Cadabra
Curti mundo d’amargura
Toca cimboa, rapica tamboro
Canta cu alma, sem ser magoado
‘Squêce vapor, s’quêce distância
Finca bo pé na terra firmi
Rumo di mar é sina tristi
Bo caminho é tchom di Caoberdi
Nho Nacho flâ al di bêm tempo
Qui midjo tâ dâ sem mêste tchuba
Vontadi d’omi é sima Deus
Coraçom forti câ dêbe tchora
Toca cimboa, rapica tamboro
Canta cu alma, sem ser magoado.
– Arménio Vieira, Prémio Camões’ 2009
Arménio Adroaldo Vieira e Silva
(Praia, 29 de Janeiro de 1941)
O Poema “Canta Cu Alma Sem Ser Magoado”, de Arménio Vieira, musicado por Pedro Rodrigues, cantado por Bana.


Conheci pessoalmente o Arménio, quando muito jovem. Ele é um poeta em toda a substância do ser, e até do comportamento exterior, que eu muito aprecio ler.
De realçar que este belo poema está escrito em grafia correspondente à etimologia do português e do crioulo que sempre procurámos escrever. Aliás, sendo o crioulo filho de mãe portuguesa, não concebo outra forma de encarar a sua escrita.
Versão do crioulo santiaguense entendido 99,9%. Pergunto porque havemos de complicar as coisas se assim todos nos entendemos.
Gostaria de ver também as versões do Fogo, de Santo Antão, etc. e o mestre Brito as apresentarà logo assim.
O meu obrigado.