Camões reencontrado nas ilhas – Cabo Verde e o Canto V d’Os Lusíadas

    Capa do Fascículo 5 – Canto V, dedicado a Cabo Verde.Comentado por Dina Salústio, Germano Almeida e José Luiz Tavares, com ilustrações de Yuran Henrique.(Edição comemorativa do V Centenário de Luís de Camões, Imprensa Nacional / Academia das Ciências de Lisboa, 2025.)     Assinalam-se em 2024 os 500 anos do nascimento de

Tarrafal, Memória e Silêncio – Entre o esquecimento e o dever de recordar

    No próximo sábado, 1 de Novembro, será apresentado em Lisboa o livro Tarrafal, 1975 – O Campo do Silêncio, da jornalista Sandra Inês Cruz, uma obra que devolve voz aos últimos presos políticos de Cabo Verde, silenciados entre o 25 de Abril português e a independência das ilhas. A partir dessa evocação, renova-se

Hipóteses da rota do “escravo vadio”

  Mapa Endi Soares, Geógrafo especialista em Sistemas de Informação Geográfica     Está a ser trabalhada uma hipótese teórica capaz de explicar a rota do “escravo vadio” para o interior da ilha a partir da Ribeira Grande, mais propriamente, a partir do bairro de Santa Marta |Ribeira Grande|, rumo ao norte, desviando-se do litoral

A imprensa e a construção da nossa identidade

      Em Cabo Verde, a imprensa nasceu antes da própria ideia de Nação estar plenamente formada. Desde meados do século XIX, quando o prelo começou a girar e surgiram os primeiros periódicos não oficiais, passou a fazer parte da experiência quotidiana do cabo-verdiano esse diálogo silencioso – mas persistente – com as páginas impressas.  

Crónica Cívica sobre a Escola e o Futuro

  “Nha Búzio”, Acrílico sobre tela de Tutu Sousa, 2025     Repensar a Educação – Educar é Reinventar o Futuro reúne textos publicados por Manuel Brito-Semedo em 2025 no jornal Expresso das Ilhas, agora organizados como uma reflexão sistemática sobre o sistema educativo cabo-verdiano. Ao longo de doze textos, o autor propõe uma abordagem

A vida dos livros – “A Construção da Identidade Nacional”

    De  7 a 13 de julho de 2025     Passam 50 Anos depois da Independência de Cabo Verde e relemos “A Construção da Identidade Nacional – Análise da Imprensa entre 1877 e 1975” (Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia, 2006) de Manuel Brito-Semedo.   UMA IDENTIDADE ESPECIAL   Sentimos o

Crioulidade, Não Reafricanização

    A identidade cabo-verdiana construiu-se na mestiçagem, não na pureza.   A identidade cabo-verdiana é, por natureza, crioula. Forjou-se ao longo de séculos de convivência entre culturas africanas e europeias, num arquipélago atlântico onde a mestiçagem foi mais do que biológica: foi cultural, linguística e simbólica. Reduzir essa complexidade a uma origem unicamente africana,