“Nôs Terra, Nôs Gente” – Daniel Filipe, Poeta da Boa Vista

 

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Daniel Damásio Ascensão Filipe nasceu na ilha da Boa Vista a 11 de Dezembro de 1925, de onde saiu ainda criança – com cerca de 2 anos de idade – levado pelo pai português, aí deportado, o Coronel médico Gonçalo Monteiro Filipe (a mãe, Rita Maria Ascensão, na altura com 34 anos, era natural da Ilha das Dunas).

 

Em Portugal Daniel Filipe fez os estudos liceais tendo sido funcionário público, jornalista, publicitário, poeta e ficcionista. Trabalhou na Agência-Geral do Ultramar e na área jornalística como co-director dos cadernos Notícias do Bloqueio, colaborador assíduo da revista Távola Redonda e do jornal Diário Ilustrado, e também realizador, na Emissora Nacional, do programa literário “Voz do Império”. Combateu a ditadura salazarista, tendo sido perseguido e torturado pela PIDE.

 

Sendo menino nascido na orela d’mar, a obra poética e romanesca de Daniel Filipe tem a reminiscência e os sons do mar das ilhas – Missiva (1946), Marinheiro em Terra (1949), O Viageiro Solitário (1951), Recado para a Amiga Distante (1956), A Ilha e a Solidão (Prémio Camilo Pessanha sob o pseudónimo Raymundo Soares, 1957), O Manuscrito na Garrafa (romance proibido pela Censura, 1960), A Invenção do Amor e Outros Poemas (1961), Pátria, Lugar de Exílio (1963) – talvez precisamente porque retirado dessa realidade muito cedo da sua infância.

 

Daniel Filipe faleceu em Lisboa a 6 de Abril de 1964, com 39 anos.

 

Manuel Brito-Semedo

 

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