
Foto Tchiche Lima
A imagem da nossa baía, recortada pelo olhar do Monte Cara, lembra-nos que São Vicente é porto seguro, mas também ilha exposta às fúrias do tempo. Hoje, esse mar e esse céu, que tantas vezes nos dão alento, guardam em silêncio o luto e a saudade dos que se foram. Mesmo ferida, Soncent mantém-se de pé, com o horizonte firme e a esperança acesa. É assim que a queremos recordar neste momento: bela, resiliente e unida na dor.
O Esquina do Tempo associa-se à dor e ao luto que hoje envolvem São Vicente. As chuvas intensas da madrugada de 11 de Agosto de 2025 deixaram uma marca profunda na nossa ilha: oito vidas perdidas, famílias destroçadas, casas e sonhos levados pela corrente. É uma ferida aberta no coração de Soncent.
Nestes momentos em que as palavras são pequenas perante a dimensão da tragédia, envio um abraço solidário a todas as famílias enlutadas e a todos os que perderam bens e sustento. Que encontrem força no amparo dos vizinhos, dos amigos e de toda a comunidade cabo-verdiana, aqui e na diáspora.
Junto-me à homenagem nacional decretada pelo Governo, com dois dias de luto, e reconheço o esforço das equipas de resgate, das autoridades e de todos os que, incansavelmente, trabalham para aliviar o sofrimento e devolver alguma normalidade à vida da nossa gente.
São Vicente chora, mas também se ergue. É da nossa natureza enfrentar a adversidade com coragem e solidariedade. E é com essa força colectiva que haveremos de reconstruir.
Repouso eterno para os que partiram. Força, fé e união para os que ficam.
Brito-Semedo