Foto de António Gomes, 2010 – Project “Pó de Bruma” BW and Poetry
Algumas comissões municipais, no louvável empenho de concorrerem para a diminuição do consumo do álcool, têm criado um imposto especial sobre a aguardente de produção provincial, e outras bebidas alcoólicas e fermentadas importadas, com excepção do vinho.
Se bem que não concordemos com a inclusão das fermentadas, pois a cerveja, por exemplo, é no nosso humilde entender, um bom refrigerante para estes climas, não deixamos de apoiar com vigor e incitar as diversas vereações da província a não pouparem os borrachos. Sim, que só possam embebedar-se os ricos. Oxalá venham a estabelecer um imposto sobre o tabaco, um veneno tão violento e prejudicial como o álcool. Que, também, só possam narcotizar-se os ricos.
O uso e o abuso do álcool e do tabaco, a tuberculose por esse abuso favorecida, as estiagens e o analfabetismo são males que estão afectando intensa e extensamente a província. Urge combatê-las sem descanso, empregando-se todos os meios, todas as armas até à completa exterminação.
Um dos meios mais eficazes é fazer com que as crianças não provem do fruto proibido, evitando os pais e os professores fumar perante os filhos e discípulos: aconselhando-os com boas palavras e com o exemplo a não tocarem em bebida alguma alcoólica. Que bebam somente água.
Quanto aos adultos, se é possível a regeneração dos viciosos em adiantado grau, todavia não se deve pôr de banda qualquer remédio que possa concorrer para desviar do abismo os ainda não inveterados pelo repugnante vício.
É fazendo a todos conhecer os estragos terríveis e as desgraças que o alcoolismo causa aos indivíduos, à sociedade; é instruindo o povo das suas desastrosas consequências, despertando em sua alma obscura, mas generosa, o horror ao uso do álcool, pois do uso é que vem o abuso, e excitando-lhe a dignidade, é só assim lutando que se conseguirá debelar o flagelante mal. Não temos a estulta pretensão de vir com o nosso desanclorizado conselho fazer que o caranguejo filho não ande às arrecuas como caranguejo pai, porque o fatalismo dos tempos escuros é o que hoje em dia a ciência denomina a Hereditariedade.
Damos por isso a palavra sobre o “álcool e alcoolismo” a um médico distintíssimo no dizer dos competentes – uma figura de notável relevo moral e político no Partido Republicano.
Mas tenham paciência os prezados leitores; só poderão ouvi-lo de hoje a 7 dias. Estejam, pois, sossegadinhos que não perdem com a demora. A lição é magistral; é preciso preparar bem o espírito para a perceber. Muita atenção e propósito firme de emenda. Senão, canta o… manduco.
AFRO

Ficamos a aguardar 🙂
Olá, Trêza, Como tenho relações privilegiadas com o Sr. AFRO, posso providenciar para que os leitores não tenham que esperar uma semana, hahaha!
No que depender de mim, o encontro “Na Esquina” será sempre de satisfação e de troca. Um abraço!
Um flagelo que sempre fustigou severamente as ilhas cabo-verdianas… Estranho como o povo receber um dinheirinho por um trabalho e a primeira coisa que faz é ir afogar as mágoas na tasca… com os filhos em casa a passarem feome.
Bebida, tabaco… e droga. Quando será possível debelar estes males da nossa sociedade?
É verdade, Amiga, O Governo cabo-verdiano está consciente disso e, através do Ministério da Saúde e da Justiça tem estado a tomar medidas. Contudo, há muito por fazer, sobretudo na área da legislação e do seu cumprimento. Imagine que as cervejeiras patrocinam festivais de música onde corre bebida a rodos, a preço de banana. Um cerveja por 30$00, menos que uma garrafinha de água!