Crónicas A Manduco… (7)

 

A união faz a força; é um ditado velhíssimo como a morte, mas também como ela infalível.

 

Desde que o mundo é mundo, o homem, ou por mero instinto, ou por discernimento intelectual, tem procurado fortalecer-se na união, para a defesa ou para o ataque. Nos tempos primitivos, tendo por arma apenas o machado de sílex, foi pela união que conseguiu disputar vitoriosamente às feras a posse das cavernas. Assim tem vindo pelos séculos adiante, ora entregando os pulsos às algemas, se a desunião lhe quebranta a potência, ora cantando vitória e erguendo trofeus, se à constância e valor ajunta a força incontrastável de solidariedade.

 

Até os animais mais brutinhos põem em prática o salutar princípio que incura e ensina o transcrito ditado.

 

As aves andam em bandos, os peixes aos cardumes e as abelhas aos enxames.

 

Escusamos de contar como os tordos se defendem das investidas dos milhafres e as ovelhas dos assaltos dos lobos, porque são lições que se aprendem nos livros de leitura para as escolas primárias.

 

A união faz a força, e a força é no estado social presente e como sempre, a condição essencial da existência.

 

Os fracos, povos ou indivíduos, são obrigados a ceder o lugar aos fortes: não têm direito à vida.

 

É preciso, pois, que nos unamos todos na comunhão dum mesmo ideal, de profícua utilidade e de levantada benemerência, qual é trabalhar tenazmente e devotadamente para que se debele e extinga, para todo o sempre, o analfabetismo, a tuberculose, o alcoolismo e a fome enfim.

 

Como vos dizemos, só unindo-nos e associando-nos, é que poderemos alcançar vitória tão fulgente e humana e gloriosa.

 

Lavradores ou proprietários rurais, associemo-nos em sindicatos agrícolas, e, assim fortalecidos, poderemos obter do Estado a criação ou o estabelecimento de um Crédito Agrícola; artistas, operários ou burocratas, unamo-nos em associações de classes, em cooperativas; instituamos caixas económicas e fundemos escolas, centros de instrução e recreio: despojemo-nos dos velhos andrajos e enverguemos a clâmide aurifulgente da concórdia e da bondade.

 

Mais uma vez gritamos: união, Compatriotas! Os povos desunidos foram sempre facilmente subjugados. Exemplos convincentes abundam na História antiga e moderna. É escusado citar-vo-los, que os conheceis melhor do que nós.

 

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Ao lembrarmos que uma dúzia de microscópicas formigas vencem uma descomunal barata, sentimos violentos desejos de obrigar todos os cabo-verdianos a se fortificarem na união, mas a manduco

 AFRO

 

 

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