O Silêncio das Bandas Municipais

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Praças sem música, promessas vazias e tradição a perder fôlego no arquipélago

As Bandas Municipais nasceram para dar música às praças, mas hoje são figurantes de luxo.

Praia: silêncio no Plateau

Fundada em 1912, a Banda esteve cinco anos ausente do Plateau – pandemia, coreto em ruínas e silêncio oficial. Voltou em 2024, mas entre a promessa de domingos musicais e a prática, sobra a dúvida: tradição retomada ou apenas verniz cultural?

São Vicente: tradição falhada

Desde 1948, a Praça Nova foi palco de domingos cheios e Boas Festas a sopro, expressão da alma mindelense. Hoje, a tradição falha: os domingos passam sem som oficial e até o povo tem de tocar por eles. Presença na memória, ausência no hábito.

Sal: vitrine sem casa

Desde 2001, a Banda abre festivais mas continua sem sede – Banda de vitrine, sem casa própria, música de fachada para turistas.

São Domingos: música confinada

A Banda Municipal já mostrou vitalidade, mas hoje mal se ouve: encerrada nas fronteiras do concelho, sem calendário nem eco, uma música confinada às paredes da Câmara. Presença local, ausência nacional.

O resto do arquipélago: silêncio e quartel

O vazio fala mais alto. Alguns municípios recorrem à Banda Militar, como se a cultura pudesse marchar ao som do quartel. Apenas Praia, São Vicente e mais uma ou duas câmaras mantêm Bandas estruturadas; as demais escondem-se em associações ocasionais e discursos piedosos. Enquanto não se financia a música, os coretos ficam de pé só para fotografia oficial.

N.A. – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.

 – Manuel Brito-Semedo

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