
Na capital, a cidade ficou às escuras – e com ela, a paciência dos seus habitantes. Mas quando a indignação finalmente se acendeu, apenas vinte pessoas apareceram para protestar contra os cortes prolongados de energia.
Vinte, numa cidade com mais de 160 mil habitantes. Vinte rostos erguidos por todos os outros que, entre o escuro e a resignação, preferiram ficar em casa. Enquanto os frigoríficos descongelam e os negócios perdem dias de trabalho, a cidadania derrete-se no sofá, à espera que alguém reclame por todos.
A EDEC fala em “compensações de 10% a 20%”. Os moradores falam em paciência. E o poder fala… em silêncio.
O mais grave não é a falta de luz – é a falta de participação. Porque sem gente na rua, não há pressão; e sem pressão, a escuridão continuará a ser política de energia.
(Afinal, vinte pessoas não fazem revolução – mas podem ser o princípio de uma claridade.)
N.A. – Esta crónica faz parte da série Alfinetadas, onde se afinam ideias, se questionam anúncios e se convoca o bom senso, mesmo quando há confettis no ar.
– Manuel Brito-Semedo