
“Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura,
que se revelam à luz da lembrança…”
Com o encerramento do Sapo Blogs, este espaço na nuvem chega ao fim da sua forma actual. Depois de 16 anos alojado na plataforma sapo.pt e de 2.485 posts publicados, o blogue Esquina do Tempo muda-se para casa própria, na CRIoula MBS Editora, casa de palavra, memória e permanência.
Foi uma longa presença. Foram anos de escrita regular, leitura fiel, comentário atento, partilha generosa e cumplicidade silenciosa. A partir desta pequena esquina, a palavra foi escutando o tempo, registando o quotidiano, guardando memória e abrindo espaço ao encontro.
O verso antigo fica como senha afectiva desta travessia. “Esquecer!? Ninguém esquece…”. Na verdade, a Esquina do Tempo nasceu contra o esquecimento. Nasceu para suspender fragmentos na câmara escura do tempo e deixá-los revelar-se à luz da lembrança: pessoas, lugares, gestos, livros, vozes, acontecimentos, pequenas grandezas do quotidiano e sinais de uma cabo-verdianidade vivida entre memória, palavra e pertença.
O Esquina do Tempo nasceu como blogue e cresceu como lugar de passagem, arquivo afectivo, oficina de pensamento e casa aberta. Por aqui passaram crónicas, ensaios, memórias, leituras, homenagens, inquietações e gestos de cidadania. A esquina tornou-se ponto de encontro. O tempo fez o resto.
Da esquina ao livro, da palavra ao gesto, a travessia continua.
Este é, por isso, um momento de reconhecimento e gratidão. Aos leitores que acompanharam o blogue, comentaram, partilharam e ajudaram a fazer do Esquina do Tempo um lugar de memória, reflexão e convivência, fica o nosso obrigado sincero.
À equipa do sapo.pt, deixamos uma palavra de apreço pela disponibilidade e por todo o apoio técnico prestado ao longo deste percurso.
A mudança de casa tornou-se possível graças a uma equipa técnica competente, dedicada e discreta, que assegurou este processo com rigor e passa agora a garantir o suporte técnico da nova etapa.
O convite permanece aberto. Continuem connosco.
A casa mudou. A palavra permanece.
E, como no verso de sempre, esquecer, ninguém esquece.