A Palavra Alinhada

 

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Há momentos em que o tempo deixa de ser sucessão.

 

Não porque algo de extraordinário aconteça, mas porque diferentes planos – que habitualmente se dispersam – se encontram e passam a dizer a mesma coisa.

 

Isso aconteceu.

 

A palavra, o livro, a celebração e o encontro alinharam-se, não por efeito de agenda, mas por convergência de sentido.

 

Durante dias, em São Vicente e na Praia, o que se disse, o que se apresentou e o que se viveu organizou-se num mesmo eixo: pensar Cabo Verde a partir da sua própria experiência, com a exigência que esse gesto implica.

 

A evocação dos 90 anos da revista Claridade deixou de ser memória comemorativa. Tornou-se critério. Critério do que fomos capazes de pensar, e do que hoje ainda conseguimos sustentar como palavra pública.

 

O livro entrou nesse movimento não como objecto isolado, mas como parte de um tempo que, por instantes, se alinhou consigo próprio. Escrever, apresentar e discutir passaram a ser um mesmo gesto.

 

É nesse ponto que o tempo deixa de se suceder e se torna sentido.

 

E é também aí que a palavra se mede: não pela sua circulação, mas pela sua capacidade de permanecer, interpelar e obrigar a consequência.

 

 

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