
Foto Ana Semedo, 2013
A força leve de ser sanvicentino
Ser menine de Soncent é mais do que nascer em São Vicente. É carregar um modo de estar forjado no Mindelo, cidade virada para o mar e habituada a receber o mundo no seu porto. Uma cidade que aprendeu cedo a ser cosmopolita, curiosa, moderna. E que nunca perdeu o chão da crioulidade.
Talvez por isso o menine de Soncent seja tido como simpático e sociável, com um desembaraço que se confunde, às vezes, com basofaria. Mas é, no fundo, orgulho de ilha: a convicção de pertencer a uma terra que fez da mistura e da abertura a sua maior riqueza. Sempre pronto para uma boa conversa, de resposta pronta, meio brincalhão, que lhe dá graça e distinção.
O Rénas era assim: espírito aberto, palavra fácil, sorriso pronto. Encarnava como poucos essa mistura de humor, ternura e pirraça que faz do menine de Soncent uma figura única.
No fundo, é esse orgulho simples, misturado com a saudade e o vento da baía, que me leva a dizer:
“Mim ê menine de Soncent, de certéza e com muito orgulho!”
P.S. – Este é o post nº 2.385.
– Manuel Brito-Semedo