
Uma das razões porque a ilha da Boa Vista só veio a ser povoada no séc. XVIII, no terceiro ciclo de povoamento foi porque as características da ilha não favoreciam a agricultura, mas a criação de gado, sobretudo caprino. Daí o nativo da ilha, pastor de cabra, sua principal actividade, passar a designar-se cabrêr.
Em abono da verdade, o cabrêr, por necessidade, sempre foi um empreendedor porque trabalhador de muitos ofícios. Hoje isso terá mudado muito, mas ele era, conforme a época do ano, pastor de cabra, pescador, escalador de peixe seco, marinheiro, fazedor de txacina e de cal, pedreiro, sapateiro, agricultor, tocador e, sobretudo, êss ca ta ftá (eles não furtam).
Os cabrêrs mais conhecidos talvez sejam Salibânia e Maria Barba, cantadêras; Nhô Alfredo Brito, professor primário de várias gerações; Nhô Marcos, Captôn; Germano Almeida, escritor; e más um ketxáda dêz.
– Manuel Brito-Semedo