Legenda (esq. para dir.): Edson Custódio (púlpito), Senhora de Osvaldo Custódio, o Poeta homenageado, Presidente da República, Presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras e Professor Brito-Semedo
É sempre difícil estar com tantos rostos apontados para mim. Normalmente, e o Vôvô Osvaldo sabe disso, fujo que nem gato de água. Desta feita foi diferente. Aceitei de pronto, apesar do frio na barriga e do aceitá se bo kizer, dito pelo Vôvô Osvaldo para me deixar à vontade.
A minha relação com o Vôvô Osvaldo começou antes de o conhecer pessoalmente, afinal a sua progenitora, a nossa querida Gú, minha bisavó, foi quem me criou. Ou seja, partilhamos a mesma “mãe do coração”. Ouvi desde sedo histórias do Vôvô Osvaldo e enxergava-o distante quase num altar. O tal filho único da minha bisa e que vivia na “longínqua” Praia, que era escritor, poeta, grande homem e que por ele a Gú havia organizado peregrinações para a capela do mato inglês para pedir protecção ao filho, sempre que ele fosse preso.
O primeiro contacto que me recordo do meu avó, não me lembro em que idade, mas ainda frequentava o ensino primário, fez-me ver que o Vôvô Osvaldo que imaginava era realmente grande. Sempre tímido não me atrevia a muitos contactos. Só observava. Nem atrevi a mostrar os versos que escrevera por incentivo da minha bisa mas, sem muito jeito para a coisa, acabei por depositar os papéis dentro da fruteira da sala de jantar.
O tempo e seus ventos fizeram-me mudar para a Praia. Continuei a observar e a ouvir histórias do Vôvô Osvaldo, mas agora narradas pelos filhos. Um menú de feitos heróicos e/ou engraçados . Até então, ver para o vôvô-poeta não me deixava enxergar o vôvô-vôvô.
Assistência
Mas isso mudou. Transformou-se naquilo que hoje mais prezo no meu avô. A amizade e o carinho. Hoje é sempre um prazer conversar e especialmente ouvir, afinal é sempre um aprendizado, por ele ser uma enciclopédia viva e um mar de vivências e experiências. É igualmente agradável o seu interesse para comigo em particular e para com todos na família, certificando sempre se estamos bem especialmente quando passamos alguns dias sem dar notícias.
Vôvô Osvaldo, sinto muito orgulho pelo enorme carinho. Minha mãe e a nora-neta dizem: grinhassim jah bo faze justim bo avô – sima te dzid gente te parceh eh que gente e é sempre bom termos coisas de quem gostamos.
Aproveitei também para ouvir o sentimento de alguns dos teus filhos e de primeira, as reacções são muito parecidas e, é claro, os filhos têm óptimas recordações e boas histórias do pápá Osvaldo na sua dimensão familiar.
Recordam os piqueniques, as idas ao mar, a bravura como os defendia e a confiança em dizer: pápá, pápá era forti – pápá ta lebaba nos na costa ta nada ti penedinha – pápá katem brinkadera ku nos – pápá ta kreba pa nu leh e ta certificaba – pápá gosta di reuni familia e amigos – pápá eh pizado – pápá eh rei ki gosta di nos.
Recordações que reflectem a família unida e que gosta de encontros familiares e casa cheia. Por isso tudo, por criar tantos filhos com esta união e amor à família, por tê-lo como patriarca e referência nas suas diferentes dimensões, particularmente a familiar, os teus Custódio, agradecem a tua solidaridadeamor na vida e para com a família.
– Edson Custódio

