“O escravo” (1856) fundou o gênero romance em Cabo Verde. Foi escrito por José Evaristo d’Almeida, um português, branco, que passou grande parte de sua vida nas colônias da África. A heroína do romance é uma mulata de classe média, Maria, idealizada nos moldes românticos. Lembrando que a população caboverdiana é fundamentalmente mestiça, temos uma intenção clara do autor de valorizar na figura da jovem, um nativismo caboverdiano. No entanto, quando o narrador exalta as qualidades de Maria, acaba por reproduzir no mestiço aquilo que é entendido como qualidade para o branco europeu. Se tal procedimento não é novidade no contexto literário romântico, o é o fato dessa mulata se apaixonar por um escravo negro e não por um branco europeu. O que move a presente comunicação são as possíveis interpretações desse episódio.
Helder Garmes, USP
Autor: José Evaristo d’Almeida
Prefácio: Manuel Veiga
Título: O Escravo
Editora: Instituto Caboverdiano do Livro, ICL, 1988
NOTA: O Escravo pode ser lido aqui na íntegra.
_________
JOSÉ EVARISTO D’ALMEIDA, terá nascido em Portugal em 1810 e falecido na Guiné em 1856. Esteve radicado em Cabo Verde durante muitos anos, onde deixou descendentes, alguns ainda hoje vivos, como os poetas Silvestre Faria e Amiro Faria. Além de O Escravo, o Autor publicou um folheto intitulado Epístola a…, que tem uma referência a Cabo Verde.
