Adriano Duarte Silva nasceu em S. Vicente a 12 de Fevereiro de 1898, onde veio a falecer em 29 de Julho de 1961.
Formou-se em Direito em Lisboa, tendo regressado de imediato a S. Vicente onde exerceu advocacia e foi Reitor e Professor do então Liceu do Infante D. Henrique, mais tarde Liceu Gil Eanes, durante várias décadas.
Foi o primeiro deputado cabo-verdiano à Assembleia Nacional Portuguesa na qual defendeu com enorme patriotismo e acrisolado amor a Cabo Verde os superiores interesses de então província.
As suas intervenções foram sempre acutilantes na defesa desses interesses culminando com a construção do dos cais acostáveis do Porto Grande de S. Vicente. Esta foi a sua coroa de glória, pois, não fosse o Dr. Adriano Duarte Silva, provavelmente nunca tivéssemos possuído este magnífico porto que, infelizmente, veio aparecer muito tardiamente.
Foi sem dúvida o maior filantropo que a ilha já conheceu, visto que em toda a sua brilhante vida nunca ninguém saiu da sua casa sem obter a ajuda que ali levava pessoas de todas as classes sociais.
Durante muitos anos, dadas às suas notáveis qualidades como causídico e homem proeminente em Cabo Verde, exerceu as funções de representante consular da França e do Brasil e variadas outras actividades.
Ler outros post sobre a ilustre figura mindelense.






Excelente artigo Brito Semedo sobre o Dr Adriano Duarte
Silva animado com fotografia da vivenda antes e depois. Dá para ter uma ideia
da dimensão do homem
(http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/416747.html#cutid1)
É preciso coragem e insensibilidade cultural e estética para ter
demolido aquela casa e construído este MAMARACHO de betão e vidro.
Parabêns ao Doutor Brito Semedo pelo artigo. No dia 29 será o 52º aniversário da morte desse “m’nine d’soncent” que numa época, em que as liberdades eram muito limitadas lutou com grande perspicácia, coragem, audácia e bons resultados pelo progresso e dignidade da sua ilha e por Cabo Verde. Que o futuro lhe traga reconhecimento merecido e que seja um exemplo para nós todos (difícil de seguir tendo em conta as suas qualidades…) e para as gerações vindouras.
Guilherme Mascarenhas
Uma maravilhosa e velha casa colonial carregada de história, deu lugar a um perfeito mostrengo. A Delegação (“delegacia” soa a neologismo transatlântico desnecessário, tal como “policial” em vez de “polícia”) de Saúde podia ter ficado neste mesmo local, com as necessárias adptações, para as quais havia suficiente espaço – e, pelos vistos, dinheiro. O mau exemplo português de novo-riquismo (que pôs o povo de cá de tanga) está a alastrar ao povo daí… Mau sinal, mau sinal!… Esperemos que pelo menos a gente do Mindelo beneficie do novo empreendimento e ele tenha de facto as valências e equipamentos necessários e não apenas aparato para encher o olho.
Quanto a quem fez a malfeitoria, a alto nível, intermédio e inferior, todos sabemos os seus nomes. Curiosamente, nós, seres humanos, temos tedência a esquecer… mas a História jamais os olvida.
Braça com neurónios,
Djack
Pois é, amigo Djack: há heranças que a gente dispensava!
Braça trintZito
No dia (um sábado) em que começaram o desmoronamento da casa do Dr. Adriano Duarte Silva estava ao pé despedindo do meu amigo Vera Cruz que ainda conseguiu captar as primeiras machadadas dos monstros mecânicos. Não consegui estar muito tempo porque sentia como se fossem golpes
Nunca me regozijarei com a mudança que considero uma ofensa à memoria do filantropo e uma forma de traição ao Povo de S.Vicente.
‘A “Esquina do Tempo” e ao dono, menino de Soncente, os meus agradecimentos
Obrigado pelo artigo, caro Dr- Porém tenho uma correção ligeira a fazer, embora, porém, tend´tou fazer. O Dr Adriano Silva não tentou construir o PORTO GRANDE de S. Vicente, embora eu saiba como batalhou por S, Vicente e CaboVerde, mas sim batalhou para que se construísse o os CAIS DO PORTO GRANDE DE SÃO VICENTE, como veio.se a ser realidade com a inauguração dos cais a 3 de Maio de 1961. O Porto sempre existtiu e há-de existir, porque é um Porto Natural, situado numa Baía semi-circular, com 1,5 Km de diaâmetro.Abraços, José Júlio Soares
O que intriga e legitima toda a espécie de dúvida é a razão por que se teve de demolir um importante elemento do património arquitectónico do Mindelo para sobre o seu chão construir-se uma Delegação de Saúde. Sim, “Delegação”, porque “Delegacia”, como diz o comentador Joaquim Saial, é termo brasileiro e nada tem a ver com a nossa tradição semântica.
Quanto à verdadeira motivação para a demolição daquele património, só os desatentos ou as gerações mais jovens poderão desconhecer que a memória do Dr. Adriano Duarte Silva é um engulho no espírito dos que julgam ter ou querer ter lugar exclusivo na galeria dos grandes filhos de Cabo Verde. Como o Dr. Adriano serviu (e de que maneira!) Cabo Verde no tempo da administração colonial, os protagonistas da independência nacional acham que ele deve ser proscrito da memória. Contudo, será debalde a sua porfia, porque a história não é feita de cerziduras de ocasião mas de costuras sólidas e duradouras. O nome do Dr. Adriano Duarte Silva será sempre uma inscrição indelével na nossa memória, ao passo que outros não virão a passar de uma nota de rodapé. Exorto os meus conterrâneos a honrar sempre essa memória e a passar o testemunho aos vindouros.
Foi com grande mágoa que soube que se propunham destruir a casa do Dr. Adriano, meu tio, por ter sido a casa de um mindelense ilustre que sempre se bateu pelo bem de Cabo Verde, e, na altura própria insurgi-me contra tal desígnio, como muitos outros caboverdeanos. Achávamos que a casa podia ter sido transformada num museu de que a cidade tanto carece. Infelizmente não nos deram ouvidos! Parece que em S. Vicente não havia outro terreno para construir a Delegação de Saúde!? Que ao menos essa Delegação sirva para o bem da população e que não seja só fachada.
De Kansas City , EUA, recebemos a reacção da patrícia Manuela Chantre de Barros com o pedido para ser insertido no blog:
“Foi uma perda muito grande e grave a demolição da casa do Dr. Adriano, um verdadeiro património nacional que devia ser preservado, como o eden park, fortim, etc., na vida e história de S. Vicente/Mindelo/CVerde! Não sei como os mindelenses, a Câmara Municipal e a edilidade não se opuseram à decisão de quem responsável, mas que não tinha nenhum sentido de história da terra. Uma tristeza para todo o cabo-verdiano que se preza. E uma vergonha para aqueles que demoliram esse património que pertenceu a uma figura histórica da nossa terra!
Os cabo-verdianos pós-1975 precisam e devem conhecer a história de muitos cabo-verdianos, bons cabo-verdianos, que também lutaram pelo bem da nossa terra e seu povo. Verdade é que não só com a espada que se luta por causas. Também com a palavra, por meio de acções nobres, em defesa dos injustiçados e oprimidos por governos e poderosos. Muitos desses que assim agiram no passado no meio da opressão vigente ficaram no olvido, são os “heróis esquecidos” da nossa terra.”
Manuel Chantre de Barros
Kansas City , 29/Julho/2013