Morreu o Rei da Morna

 

 

 

 Adriano Gonçalves, Bana

 

Mindelo, 5 de Março de 1932 – 12 de Julho de 2013

 

Bana começou a cantar ainda muito novo nos botequins do Mindelo, depois em Dacar e em França, antes de fixar residência em Portugal, onde se consagrou como o “rei da morna”.

 

Nos seus mais de 70 anos de carreira, gravou mais de 50 LP e viajou pelos quatro cantos do mundo a encantar os amantes da música cabo-verdiana.

 

Dentre a sua discografia, destacam-se “Canto de Amores” (2006), “Livro Infinito” (1999), “Bana – A Voz de Cabo Verde” (1991), “Perseguida” (1989), “Gira Sol” (1988), “Grito d’Povo” (1985), “O Encanto de Cabo Verde” (1982) e “Morabeza” (1981).

   

 

3 comentários em “Morreu o Rei da Morna”

  1. Sinto imenso a morte do Bana, para mim a nossa  voz masculina total, a mais quente, a mais envolvente e a mais penetrante. Bana é inconfundível. Paz à sua alma, e minhas condolências à família enlutada e a todos os patrícios.

    Responder
  2. Um comentário do colaborador Luiz Silva com o pedido de publicação:
    Conheci o Bana com os meus 9 anos em 1953 num jogo, na salina do golf, entre o Mindelense e a Académica, tendo esta, graças a um golo do Tuinga, vencido o campeonato. Connosco estava também B.Léza que ele acompanhava no seu “carrinho de rodas”, cantando marchas e mornas dedicadas ao Mindelense. Sendo ambos do club Mindelense, seu club de coração, passámos a encontrar-nos sempre nos treinos e eu a assistir às suas serenatas na praça Estrela ao lado do seu primo Eduardo, de Antonzinho, Patada e outros. Mas antes de tudo, Bana queria ser guarda redes do Mindelense, o que para mim foi a sua grande frustração. Sempre me falou do futebol, dos companheiros como Djosinha e Djunga Djaquá que brilharam com a camisola do Mindelense. Espero que a vitória do Mindelense, hoje no Porto Novo, seja dedicada ao Bana, Mindelense de sangue e camisola. Lamentou mesmo não ter participado no disco “Mindelense! Mindelense!”, iniciativa dos Mindelenses de França.
    Encontrámo-nos na Praia em 1966 na sua viagem de regress de Dacar a caminho de São Vicente para apresentar o seu primeiro disco produzido naquela cidade. E não me estranhou que mais tarde ele viesse a impor-se como um dos maiores intérpretes da música caboverdiana ao lado da Voz de Cabo Verde na Holanda e, mais tarde, em Portugal, sempre associado a Luís Morais que foi verdadeiramente o seu grande guia e mentor.
    Fica também na história cultural de Cabo Verde como um grande promotor e divulgador da música caboverdiana, pois músicos como Paulino Vieira, Leonel Almeida, Tito Paris e outros foram editados pela sua Editora e fizeram parte do seu grupo durante muitos anos. Prefaciei um disco dele em Paris editado pela Lusafrica, há já alguns anos, e que teve uma grande aceitação no seio das comunidades lusófonas.
    Bana merece ruas e estátuas no coração de Cabo Verde e, em especial, de São Vicente, onde nasceu na rua de Côco, em Mindelo, em 1932, passando depois a viver na Rua da Moeda. Mais ainda, ele merece um mausoléu ao lado de Luís Morais e Frank Cavaquinho, no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade em Mindelo.
    Luiz Silva
    Paris, 13 de Julho de 2013

    Responder
  3. Até agora não me foi possível vir aqui por estar ausente temporariamente e sem o meu material mas antes que o Adriano seja sepultado, venho aqui dizer que também eu, como todos os amigos que demonstraram a sua tristeza, me sinto mais pobre pela perda de um amigo.
    Conheci o Bana antes de “aparecer” como cantor já que nascemos na mesma rua. Em seguida foi o “nascimento” do cantor que acompanhei e quando chegou a Dakar ali estava eu como que para o receber. Tive a sorte (privilégio) de ser o único a levá-lo à cena, tendo escrito uma modesta revista onde ele representava o seu próprio papel.
    Infelizmente não me é possível apresentar agora a foto testemunha mas ela pode ser vista no livro “O teatro é uma paixão, a vida é uma emoção”.
    Caro Bana, foste um peso pesado mas estou certo que a terra te será leve. 
    R.I.P.

    Responder

Deixe um comentário