O escritor Mia Couto recebeu, segunda-feira, o Prémio Camões, partilhando-o com a gente anónima de Moçambique e tomando-o como uma celebração do que ainda há por fazer no que respeita à língua portuguesa.
«Pensamos que um prémio serve para celebrar o que já fizemos. Prefiro pensar que se trata de celebrar o que há ainda por fazer, e quanto nos falta realizar a todos nós para que seja mais viva e mais verdadeira esta família que celebramos na nossa língua comum», disse Mia Couto, que recebeu o galardão das mãos dos presidentes português, Cavaco Silva, e brasileira, Dilma Rousseff, no Palácio de Queluz.
Durante o seu discurso, o autor lamentou que os povos que falam português têm sido esquecidos e exultou a luta pela independência de Moçambique.
Já o Presidente da República felicitou a presença de Dilma Rousseff em Portugal no dia de Camões, bem como o escritor Mia Couto, considerando-o «um dos mais reconhecidos e versáteis autores da lusofonia contemporânea».
«Mia Couto reconstrói o tempo e o modo moçambicanos, as tradições e a oralidade da sua terra natal, aquela que foi terra sonâmbula e hoje constitui um dos países mais promissores do continente africano», disse.
Por seu turno, Dilma Rousseff considerou que o galardão entregue «servirá para aprofundar o conhecimento da obra» de Mia Couto no Brasil.
«Mia Couto, moçambicano, filho de pais portugueses. Ele mesmo vive neste entrecruzamento de culturas», lembrou.
Também o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, felicitou o escritor de Moçambique.
Fonte: abola.pt

