Fazendo parte de uma das zonas mais emblemáticas da Cidade do Mindelo, com uma população de pouco mais de 70 mil habitantes, a velha Alfândega, um edifício do século XIX, situada na Avenida Marginal, no seguimento da Ponta-de-Praia, de frente para a Baía do Monte Cara, funcionou no tempo do carvão, dos ingleses e das grandes casas comerciais como um dos alvéolos mais importantes do pulmão da Província, que foi o Porto Grande do Mindelo.
Restaurada em 1997, a velha Alfândega alberga o Centro Cultural do Mindelo com uma programação diversificada e rica, que vai desde a música, exposição de pintura e fotografia, passando por exibição de filmes, lançamento de livros e teatro. Para além disso, o Centro recebe eventos de outros centros culturais ou universitários e acolhe iniciativas como “Março, Mês de Teatro” e “Mindelact”, este em Setembro, que já vai na sua 18.ª edição, um evento hoje considerado como o maior festival de teatro de África e um dos maiores de língua portuguesa.
O grande desafio do Centro Cultural do Mindelo é que essa mesma Alfândega, a velha Alfândega, que funcionou no passado como uma porta de entrada de produtos das mais diversas proveniências e qualidades, venha a ser – melhor, continue a ser – enquanto Centro Cultural, um ponto de atracção, de convergência e de difusão de produtos culturais nesta Cidade de tantas e tão ricas tradições!
– Manuel Brito-Semedo


Foi aqui, junto da Alfândega, que vi um dos mais belos sinais de solidariedade humana – ou companheirismo, se preferirmos. Embora reprovável, por questões higiénicas, era de facto enternecedor pela comunhão que transmitia. Tratava-se da passagem de boca em boca de cigarros entre as carregadeiras da Alfândega. Quando uma tinha um cigarro, todas tinham. Ali sentadas, à espera de mercadorias para carregarem à cabeça, havia cigarrinhos que corriam vinte e mais daquelas mulheres.
Braça,
Djack
Na verdade ” Djack ” ; para além de sinais de solidariedade humana ,- como tu dizes – era também sinais de pobreza , mas com a sua humildade que a propria pobreza obrigava . A situaçao incerta à espera de um frete , o cigarrinho que passava de boca em boca ,- tcha’m trà um fumo – estimulava aquele tempo ai à espera de conseguir , ( trà um dia d’ traboi ) , que lhes permetissem , ” pô um catchupa na lume ” !..
Velhos tempos ” Djack ” que jà nao voltam mais . Caboverdianamente aquele obrigado!.
Morgadinho !..
“s’tória … História…
Edificada no reinado de D.Pedro V sendo Ministro da Marinha e do Ultramar o Visconde de Sá da Bandeira e Governador da Provincia de Cabo Verde o Conselheiro Sebastião Lopes Calheiros e Menezes foi aprovada e mandada executar a obra… Começou em Setembro de 1858 e terminou em Dezembro 1860 ( 152 anos de idade)!Tendo sido projectada e dirigida pelo Capitão do Estado Maior do Exercito Januário Corrêa de Almeida, engenheiro civil e militar désta Provincia…”
Isto é uma das peças raras de obra prima de arquitectura colonial, de que Mindelo com orgulho pode vangloriar, tal como os edifícios do Palácio e da Câmara, a réplica da Torre de Belém, a nossa Igreja Matriz, e outros tantos patrimónios que entretanto se esfumaram e que hoje lembramos com pena. Coincide bem com Palestra “Arte Pública colonial em Cabo Verde”, de Joaquim Saial de 14 de Dezembro em Lisboa.
Obrigado pela propaganda de borla!
Vai ser interessante, pela pesquisa feita e pelas imagens que vao ser mostradas.
Mas a cachupa a seguir não será menos apetitosa e a música do Paló, nem se fala.
Braça,
Djack