
Filho de minhotos, João Bento Rodrigues – que ficaria conhecido por Filili – nasceu na ilha do Fogo no ano da abolição da escravatura. O decreto não bastou, porém, para que se extinguisse o tráfico, até porque os negreiros tinham a cumplicidade das autoridades; e foi assim que Maguika, capturada nas matas da Guiné, se tornou propriedade de Nhô Filili, trazida por um negociante desejoso de, com presentes, o conquistar para genro.
Tendo por cenário o arquipélago de Cabo Verde entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, O Legado de Nhô Filili é o retrato de uma África bela e sedutora, mas também dura e miserável, e bem assim uma metáfora da história da mestiçagem biológica e cultural e da génese dos movimentos pela independência das Colónias.
Nas Livrarias de Lisboa a 18 de Junho
Caramba, já estava necessitado de um livro assim. Belíssimo! Depois de tanta coisa sobre as antigas províncias saiu finalmente um bom romance sobre nós portugueses e todos nós guineenses e cabo-verdianos e não só: o mundo e a multiculturalidade . Essa coisa dos rabelados nem sabia que existiam: que bem…
Qdo . passar por Portugal vou à procura do livro. Obrigado por ter parado “Na Esquina”.
Nunca estive em Cabo Verde, tenho alguma formação em História, mas agora com este romance, acho que irei ao arquipélago.
Como descendente de Nhô Filili (bisneta) e em nome da Família Fernandes, alerto-vos os personagens são verdadeiros, e têm descendentes (filhos netos e bisnetos vivos), a história tem muita ficção, e pelo meio alusões nada abonatórias, para muitas pessoas da família, e note-se algumas são afirmações gratuitas e sem qualquer rigor histórico, diga-se invenções puras … Inverdades sem fundamento que mancham a dignidade da família … e sabemos que a historia não se passou bem assim