Foto de 1981, gentilmente cedida por Humberto Lima
Legenda (a esquerda para a direita): Malaquias, […], Evaristo (?!), Gomercindo Cab’cinha, Tchuf, Manel d’ Novas, Júnior e Caraca
Hoje é fin d’one
O gente no bem festejal
C’nos morabeza
No bem goza dess dia
Sonte di fin d’one
Ja p’di ké pa no honral
Na força di nos tradiçon
No ta perpetua ess alegria
Recordai recordai
Senhor Son Silvestre
No bem da Boas Festas pa tud gente
No bem da Boas Festas pa Cabo Verde
O k’sinfonia la na Baia
Oh irmon c’ma m’ta feliz
O k’sintonia num melodia
Cantode na som di mil voz
E o q’note
Tão doce e colorida
– Teófilo Chantre

Não sou capaz de ler este poema sem pensá-lo cantado pela Cesária.
Não tem o mesmo sabor agora, enquanto não passar um pouco da memória destes dias tristes.
No entanto…
…morreu a Cize, viva a Cesária!!!!
O mundo continuará a girar e a voz dela a encantar-nos.
Braça
Djack
Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris,ou cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como o tempo vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
Novo espontãneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come,se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber chamapanha ou qualquer outra birita
(planta recebe mensagem?
passa telegrama? ).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrempendido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre homens e nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
para ganhar um ano-novo
que o mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano-Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Este, um dos fascínios desta Esquina, blog/magazine cultural. Para mim, o “viver” (conhecer) memórias de tempos que de outra forma nunca iriam fazer parte da minha cultura. Dá trabalho, sei-o, mas é tão gratificante para que lê, atrevo-me a dizer, para quem aqui vem “beber” Cabo Verde que, estou certo, não só justifica o trabalho como será gratificante para o estimado Professor saber que o é aqui também, “Professor de Caboverdismo” para sedentos de cutura(s) – a das pessoas acima de tudo, dos passados, das tradições, das gentes, dos falares.
Atrevo-me mesmo a pensar em ver um dia tanta memória e história de Cabo Verde passarem a livro (e digo-o na esperança de lhe deixar o “bichinho” da vontade” de tal empreitada 🙂
Grato, Amigo, pelas suas palavras de apreço. É esse reconhecimento de que o “Na Esquina” vem prestando um serviço público à cultura de Cabo Verde que me (nos) motiva. E saber que o esforço é apreciado compensa. Um abraço extensivo à equipa técnica do Sapo, ao apoio editorial, aos colaboradores e aos amigos leitores que nos enviam textos, informações, sugestões e material dos mais diversos, nomeadamente, selos e fotos antigas. Um bem haja a todos!