Recebi do Amigo Carlos Spínola, Pawtucket – Rhode Island, USA, esta lista com palavras do crioulo antigo di Djabraba, eventualmente do tempo de Eugénio Tavares (foto), com o pedido de divulgação e indicação de que está “em construção colectiva”, faltando, contudo, a respectiva tradução em português.
Albissa (pidi)
Albre
Amprastã
Aqui-di-ré (socorro)
Ardigâ
Ardigado(a)
Assete! (Isso mesmo!)
Baluscrina
Bandadjo
Barquino
Basuntã
Batanca
Belgata
Bembe
Benteâ
Bentritcha
Berbuncaro catum zes
Bico (umbigo)
Bilam
Bimbilim (planta local)
Bindja (jogo de pião)
Bismã
Bismado
Bitoco (jovem paisano)
Boca doce (bom paleio, bajulador)
Botana (tampão para barquino)
Botica
Bulaxo
Burdjufo
Cabeça lebe (pouco juízo)
Caculado (cheio, abarrotado)
Caiado (careca)
Camate
Cambriola
Canhoto (cachimbo)
Carensatche
Carepa
Carne di norte
Cincho (usado no fabrico de queijo)
Chaputí
Cisma (Obsessão)
Cismâ
Colerta
Columbado
Compriser-di-fala
Conhosco
Contra-naçam (estrangeiro – nos EUA)
Corasam scapâ
Corda d’alma
Cotchã
Cotchã corda
Cotcho
Cramâ
Credo, benburcaro
Cudi
Cuza rum
Dá obra
Dafo (gufongo rústico)
Dedinho mindinho
Diputado (expressamente)
Djabraba
Djagacida
Djabum
Djongoto
Djogre (milho entre verde e seco)
Djonreca
Djoncré (larva de mosquito)
Djunça
Dor d’odjo (conjuntivite)
Doré
Dzumfadâ ou Zumfadâ
Enchorã
Falepé ou Garrocha
Fanado
Fano
Fastentura
Falili
Farbaletâ
Farelapo
Fatchã
Fatcho
Fijon figuera
Fiti-fiti
Flashilaite
Fumo-ta-Capelâ
Gadanha
Gadanhâ
Gajâ
Garnel
Garrocha
Garrochâ
Gasganete ou Gasgunete
Gudu (cimo)
Gufongo
Lambujâ
Lambujado
Lambujador (Bajulador)
Laite (lanterna eléctrica)
Lelecâ (endoidecer)
Lembesco
Leréss (cabeça leve)
Lóca (cadeado)
Locâ
Lopado
Lorongo
Lupeta ou lupeta
Mangâ
Mátche (fósforo)
Manoco
Mantchupa
Mexida
Miziado
Mobê
Mobedo
Modjo (montura de burro)
Morsegâ (esganiçar)
Moriscâ (tecto)
Mustura (acompanhamento alimentar)
Nbrudjado
Ndjutú
Nganha
Ngodâ
Nguenhado
Nhambabo (português – EUA)
Nhana currui (cutumbembé)
Nhuquí
Nicâ
Nlebâ
Nlebeâ
Nodjado
Ntochado
Panhâ frio (tuberculoso)
Passa-catau
Petâ
Postemâ
Profundâ (na studo)
Propi si!
Prutchí
Pundé
Quarta corredo pou (todos)
Quitse
Rafodjada
Ramoqui
Rascunho
Rastijâ
Raquintada (velha a querer ser nova)
Razola (vara de razolar)
Razolado
Razumbado
Ratutida
Rezo di canhoto
Roscom
Sangue alto (tensão alta)
Sangue doce (diabete)
Satadjo (pedaço grande)
Sbandadjâ
Scanecâ
Scobero (Lembesco)
Scôrcea (sair de fininho)
Scudrinhâ
Serom
Sfalsado ou desfalsado
Smadjigâ
Snorteâ
Sondeco
Spricê
Squerdero
Stafado
Stazado
Stroncado
Subida (di jagacida)
Sucre-na-sangue (diabete)
Sungal
Tagâ
Tafo (difícil orig. inglês)
Tanangâ
Tanangado
Tanaco
Tanso
Tchacota
Tchacotâ
Tchafâ
Tchasco
Tchilembesca
Tchola ?
Tchutchi
Tchuci
Tontasco (nêscio)
Tontasquiâ (zonzo)
Totoco
Tortodjo (arbusto local)
Trincho (Pedacinho)
Trupida
Tubinho
Tusquiâ
Xerem di Festa
Urdidja
Urdinhâ
Zuada
Zumfadâ ou Dzumfadâ
Zurado (avarento)
Zurentado ou Dzurentado

Bom dia estimado “Esquinense” 🙂
Informo que o Blog está em destaque na homepage dos Blogs do SAPO Cabo Verde e este post está em destaque na Rede na homepage do SAPO Cabo Verde.
Os bravenses que me perdoem… mas a melhor definição crioula para” diarreia” vem da Brava:
“- Desaforo na cagatêra”
exemplo:
Mamã… un tâ vá t’chada kum s’tá que desaforo na cagatêra!
(escrita livre)
saudações aos bravenses
Como contributo, apenas posso lembrar que um grande amigo meu (somos unha com carne) já usou o vocábulo “belgata” num romance que escreveu sobre a Capitania de S. Vicente (e seus arredores…). Aqui vai o excerto em que isso acontece.
E aí começavam intermináveis discussões com Zezé Tadeu, que nunca lhe queria ficar atrás, famoso por ter colhido do mar quatro tartarugas numa manhã e se gabava de ter arpoado um tubarão para os lados da Matiota, depois convenientemente comido pelos companheiros de cardume. Tudo acabava em bem, ali mesmo ao lado, no botequim de Joana de Jesus – de quem Zezé tirava proveito, dizia-se – à custa de um ponchinho ou de um grogue de belgata, que Joana assegurava tirar a ressaca aos bêbados.
Convém informar que o meu amigo não sabia que belgata era vocábulo bravense (embora soubesse que era coisa bem cabo-verdiana). Hei-de contar-lhe…
Braça
Djack
Vi, com imenso agradado, vários vocábulos também usados no crioulo do meu tempo de adolescente em S.Vicente . P.e . : prutchi “; para ameaçar dizia-se “bô ta levà um prutchida”.
Mas mais usado em minha casa era a célebre belgata para dores de barriga ou indigestões. Até se dizia que “chà de belgata da tà fraqueza”
Também para o puntchim de que fala o amigo Djack, claro.
Belgata não é um vocábulo exclusivo da Brava. É crioulo, sim, muito usado na Brava na medida em que desta planta se faz um delicioso e precioso chá. Mas quem poderá dizer que é bravense? É proveniente de uma planta da Africa Ocidental e designado Andropogonnardus, Lin. por Lineu.
É por isso que teremos que ter muito cuidado. Não é preciso pressas.
Um bravense
Quim di Margaída
Obrigado Doutor Brito Semedo.
Esses verbetes são da nosso Crioulo…
É verdade sinsenhôr…
Naquela dôr de barriga de véspera de exame… o nosso professor de botanica, recomendava-nos:
Um bom chá (infuzom) de andropogonardus… adoçado com pirinha!
Queremos agradecer ao Dr. Brito Semedo pela divulgacao , ao mesmo tempo que esperamos que todos possam contribuir com mais palavras tipicos da Brava.
Este sera um longo caminho, mas valera a pena.
Aproveito para desejar a todos os visitantes deste blog BOAS FESTAS e boas entradas em 2012.
Carlos Spinola
Dr. Brito Semedo
Favor enviar me a lista de livros a venda no nosso pais sobre ou e de Eugenio Tavares e outros da ilha Brava.
Obrigado. Bem haja!
Carlos Spinola