Manoel Antonio Martins
(Reino da Galliza, cerca de 1772 – Boa Vista, 06 de Julho de 1845)
Tendo arribado a Cabo Verde nos finais do século XVIII, radicou-se na ilha da Boa Vista. Comerciante, proprietário e armador, foi o homem mais rico de Cabo Verde no seu tempo. A sua fortuna assentava no monopólio da compra da urzela e na exploração do sal. A ele se deve o povoamento da ilha do Sal, onde mandou assentar, ainda na década de trinta, a primeira via-férrea de todo o território português de então. Também se dedicou à política e entrou em conflito com alguns governadores, tendo sido, juntamente com Antonio Pusich, o introdutor da moda dos opúsculos em Cabo Verde.
Foi deputado por Cabo Verde às Cortes Constituintes de 1821 e, sendo nomeado para o mais alto cargo da província, foi o único governador de Cabo Verde com a designação de “Prefeito das Ilhas de Cabo Verde” (1834-1835), experiência essa que foi abandonada devido à revolta do Batalhão Açoriano.
Escreveu artigos nos jornais da então metrópole, atacando os seus adversários políticos em Cabo Verde. Publicou: Memória demonstrativa sobre a necessidade de novas providências para a província de Cabo Verde, Lisboa, 1822; Palinodia contada pelo ex-governador de Cabo Verde…, Lisboa, 1823; e Apologia do cidadão Manoel Antonio Martins, Lisboa, 1836.
Conhecido como Conselheiro Martins, deixou uma vasta descendência em Cabo Verde. Vide, por exemplo, João de Sousa Machado e Augusto Vera-Cruz, para além de alguns nomes de apelido Martins.
Salinas de Pedra de Lume, Ilha do Sal, Obra do Conselheiro Martins
– Informações recolhidas na obra de João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-Verdiana. 1820-1975. Macau, Fundação Macau e D.S.E.J., 1998

