Legenda: Agnelo Adolfo Avelino Henriques, de pé, Manuel do Sacramento Monteiro e Danilo Henriques (o miúdo)
Fotos, anos 30, gentilmente cedidas por Amélia Sacramento Monteiro, Portugal
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Sokols, organização de massa juvenil fundada em S. Vicente, em 1932, por Júlio Bento de Oliveira (S. Vicente, 1905-1981), inspirado no movimento checo surgido em 1862, como “Sokols de Cabo Verde”, tendo depois mudado o nome (com tradução da palavra sokol) para “Falcões de Cabo Verde”. Para além da cultura física, a organização procurava inculcar nos seus membros os valores cívicos e democráticos que também regiam a sua congénere da Checoslováquia.
No Boletim Oficial, N.º 52, de 29 de Dezembro de 1934, vêm publicados os Estatutos da Associação “Falcões Portugueses de Cabo Verde”. Razões internas e externas terão servido de pretexto para ditar o fim da organização: (i) em 1934, durante a “Revolta de Nhô Ambrose”, a associação ajudou a acalmar o povo, tendo demonstrado simpatia pela sua causa; (ii) em 1937, manifestou o seu repúdio pela decisão governamental de extinguir o liceu; e (iii) a culminar, em 1938, a Checoslováquia foi invadida pelo exército nazi e deixou de existir como país independente.
Por Decreto N.º 29.453, de 17 de Fevereiro de 1939, a associação foi extinta e imposta no seu lugar a “Mocidade Portuguesa”, convertendo-se os “Falcões de Cabo Verde” na Ala N.º 2 “Afonso de Albuquerque” da Mocidade Portuguesa.
– Informações recolhidas da obra de João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-Verdiana. 1820-1975. Macau, Fundação Macau e D.S.E.J., 1998


Bom dia! Meu amigo Brito Semedo!
Gostei mesmo ,olha esta Organizaçao ainda existe na Europa!
Interessante que temos cruzado com eles nas Gymnaestradas Mundiais que temos participado e desta ultima ate nos deram o contacto e quando leio tudo isso digo-te porque nao reatar a amizade com esta gente !Eles la para Republica Checa e um dia tivemos ligaçao forte! Um abraço ,tudo de bom Brito! M.Eduarda Vasconcelos.
Obrigada, Amiga, por esta informação. Penso que estás bem posicionada para encaminhar uma proposta ao Ministério de Educação e Desporto para, se não a nível nacional, pelo menos a nível da ilha de S. Vicente, desencadear uma cooperação com os Sokols Checos, reatando a velha ligação e amizade. tml – a propósito de uma deslocação da Selecção de Futebol de S. Vicente a Bissau.
Deixo-te com um link onde foi “mentado” o nome do teu Pai – http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/135975.h
Braça!
Já o disse e volto a dizer. Enquanto estive em Cabo Verde nunca ouvi falar dos Sokols. Posso ter ouvido falar, mas se nada me ficou impressa na memória é porque a menção a essa organização não teve ênfase nem o propósito de a enaltecer e divulgar. Confesso que só através do romance Capitão de Mar e Terra, de Teixeira de Sousa, é que fiquei com uma ideia composta do que foram os Sokols de S. Vicente. E fiquei muito sensibilizado com o que passei a conhecer, porque não é fácil pôr de pé um projecto desta natureza. Requer grande espírito de iniciativa, elevada formação cívica e excepcional dedicação. O seu criador, Júlio Bento Oliveira, tinha isso tudo.
É através daquele romance que fiquei também a saber que só a Mocidade Portuguesa viria a destronar os Sokols, mediante processos sub-reptícios para lograr os seus fins. Os Sokols foram persuadidos a integrarem-se na Mocidade Portuguesa, sob pena de perderem a sua sustentação natural.
Ora, os cabo-verdianos aderiram aos Sokols de livre vontade e cheios de entusiasmo cívico, identificando-se de alma e coração com a organização. Aquilo não tinha nada a ver com a política e as autoridades administrativas. Aquilo era a sociedade no esplendor da sua liberdade e do seu querer. Contrariamente, a Mocidade Portuguesa era uma ideia nascida do coração do regime de Salazar e era uma imitação do que fazia a Alemanha e a Itália fascistas. É claro que a Mocidade Portuguesa era algo de trazer por casa, sem qualquer propósito de ser a voz juvenil da política ditatorial. Apenas corporizava um projecto de enquadrar a juventude em actividades pré-militares, desportivas e recreativas, mas, claro, com uma evidente marca ideológica. A filiação não era obrigatória e a prova disso é que no meu caso nunca a ela pertenci. Apenas a fase da chamada Milícia, a partir dos 17 ou 18 anos, é que era imposta, não de uma forma directa mas intimidatória, com a ameaça de perda de ano no liceu. E foi assim que fui lá parar, eu o Luiz e outros da mesma idade, recebendo instrução de ordem unida e de manuseamento da espingarda Mauser no quartel de Chã de Alecrim.
Continua…
Continuação…
Mas os Sokols eram outra coisa. Poder-se-á pensar que isso é coisa de outros tempos e que é inimaginável ressuscitar os Sokols nos tempos da internet, Ipad, Ipod, telemóvel, televisão, etc.
Mas se calhar por isso mesmo é que precisamos de novos Sokols em Cabo Verde. Mas onde encontrar um Júlio Bento Oliveira?
Depois de ficar a conhecer os Sokols, a sua presença no meu imaginário foi tal que ao escrever um poema evocativo da antiga Praça Estrela nele coube a seguinte estrofe:
À luz poente a Praça Estrela aguarda a noite
E a roda do tempo gira a favor dos sentidos
Os Sokois desfilaram com a pompa dos seus ideais
E no ar retine ainda a sonoridade dos seus clarins
Espalhando vibrações da sua indómita vontade
No deserto de fortuna onde despontou uma flor
JÚLIO BENTO DE OLIVEIRA foi um dos meus chefes directos (eram dois) quando andei na Western. Se ele nada fez por mim particularmente, foi uma pessoa por quem tive muita estima pelo que fazia. Além do trabalho que tinha na WTC° era 1° Vereador da Câmara de S. Vicente no tempo do Dr. Luís Terry e, mais tarde, um super Presidente que começou por dotar S.Vicente de luz eléctrica com dois motores Fayrbanks (um deles baptizado Alves Roçadas). E nunca houve apagões.
Voltando aos Sokol’s. A sua criação que fez sombra e foi, como é dito acima, dissolvido ou absorvido. E não se fez o que se fazia.
O meu falecido pai foi membro dos Sokol’s e nunca mais deixou de tratar o sr. Júlim por Comandante; era um dos dois que meu pai não tratava por “tu”. O outro era o sr. César Marques Silva este o criador do Eden Park do qual o sr. Olievira era sôcio.
A História dos SOKOL’S merece ser contada aos jovens que – como disse o Adriano – hoje ninguém conhece.
Tive uma colecção de fotos relativas às suas actividades e, quando o meu velho falava desta instituição, sentia-o comovido. No dia em que lhe perguntei sobre a Mocidade ele disse “lá bo ca ta bai”.
Ficou tudo dito.
Aproveito o ensejo para lamentar que nunca ninguém pensou em homenagear as figuras de Júlio Bento de Oliveira e César Marques Silva na toponímia mindelense. E là hà tantos que menos fizeram.
Esta organização colheu frutos, motivo porque, volvidos todos esses anos, ainda é lembrada. Faz parte da nossa história. Não fosse o comprometimento político-ideológico deste tipo de iniciativa, diria que hoje faz muita falta para a educação cívica do povo. Penso que o meu pai fez parte dos Sokols/Falcões, pois sempre nos falou dele.