Recordando o Poeta Januário Leite

 

januário leite.jpeg

Foto Arquivo Histórico Nacional (IAHN), Praia

 

 

Poeta Januário Leite

 

(Santo Antão, 10 de Junho de 1865 – 10 de Junho de 1930)

 

 

É a encarnação da alma poética caboverdiana, em toda a sua manifestação sentimental.

 

Januário Leite é um lírico na verdadeira acepção da palavra.

 

Os seus versos, escritos quasi sempre nas horas sombrias dos íntimos desgostos que amarguraram eternamente a sua alma atassalhada pela Dor, têm uma expontaneidade admirável e uma naturalidade apreciavel.

 

A gente ao lê-lo chora e sente como ele.

 

Cultiva, de preferência o soneto – o vaso precioso que tem recolhido todas as lágrimas choradas pelos corações alanciados pelas grandes amarguras do Destino.

Os versos que se vão ler, dedicados à memória de sua mãi, falecida há tempos, encerram incontestavelmente um primor de sentimentalismo.

 

januário leite.jpeg

SAUDADE 

 

(À memória de minha estremecida mãe)


Alma mais simples do que a flor singela,

E coração de rola a mais sentida,
A minha santa mãe inesquecida
Era o ideal das mãis: tal era ela.

Não mais verei a luz da minha estrela
No céu caliginoso desta vida!
Que resta a [à] alma, pela dor vencida,
Nas trevas desta noite de procela?

 

Apenas mil lembranças! e, suspenso,

O éco da sua voz e a soledade!…

Ó mãe, se numa balança, tal qual penso,

 

Existe no teu mundo, a eternidade,

Mãe, põe dum lado o teu amor imenso,

E doutro lado põe: a minha saudade!

 

(Santo Antão) António Januário Leite

Simplesmente belo. E, como este, muitos dos que por aí andam dispersos em mãos de amigos.

 

A. Corsino Lopes, Mindelo, Maio, 13
 

januário leite.jpeg

 

4 comentários em “Recordando o Poeta Januário Leite”

    • Venha daí um abraço neste domingo solarengo , que mais apetece um mergulho na Laginha (Mindelo) ou na Quebra Canela (Praia) 🙂 É bom saber um patrício na terra-longe encostado no “Na Esquina”, esta nossa Praça Nova virtual de convívio, a saber das coisas da terra. Apareça mais vezes para dar fé. Com amizade de diazá.

      Responder
  1. Vou partilhar o poema de Januario Leite na minha pagina de internet,  evocando a minha que faleceu recentemente. 
    Deviaeu  estar na terceira classe, quando foi o poema recitado por uma colega minha. Tocou-me desde o primeiro momento que o escutei. Simplesmente singelo e belo.

    Responder

Deixe um comentário