Ernestina é mais do que um romance autobiográfico ou um volume de memórias de famílias ficcionadas. É um fresco de Trás-os-Montes, dos anos 1930 aos anos 1950, um romance que transcende o relato regionalista e que transpôs fronteiras, transformando-se num fenómeno editorial na Holanda.
Ernestina é também o nome da mãe do autor e da intrépida protagonista deste livro. Sobre ela, J. Rentes de Carvalho disse: «Mãe de um só filho, a sua vida, que foi uma de tristeza, amargura e terrível solidão, dava um livro. Escrevi-lho eu. E a sua morte quebra o último elo carnal que me ligava à terra onde nasci. Felizmente são ainda muitos os laços que a ela me prendem.»
De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa – onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas (Fonte)
de José Rentes de Carvalho
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 320
Editor: Livros Quetzal


Ernestina é o nome da minha avó paterna, que herdei, embora com muita relutância quando criança. Qualquer caboverdiano sabe que Ernestina é o nome de um veleiro famoso, que transportou emigrantes de Cabo Verde para os EUA e que hoje se encontra no porto de New Bedford. E também sabe da morna Ernestina, que em criança me fez derramar lágrimas copiosas pois eu era motivo de chacota dos meus irmãos e amigos por causa dos versos “Ernestina ta cambá na sul”, a que eu não achava graça nenhuma.
Regressando ao livro, aquando do seu lançamento, em 2009, tive-o nas mãos por acaso, ao procurar alguns para oferecer no Natal. Não conhecia o autor e estive a folheá-lo para verificar do seu interesse. Naquele momento, ao saber que se tratava da descrição da vida de uma senhora, mãe do autor, cuja vida foi austera, solitária e triste, não fiquei inspirada e não o comprei. Das terras de Trás-os-Montes e da vida dura dos seus habitantes já tenho lido muito, começando pela pena de Miguel Torga, de que tenho a obra quase completa. Nem um eventual egocentrismo me convenceu a comprá-lo, já que o tema era de cariz sério e triste.
Acho interessante que o Prof. se tenha lembrado de fazer mais uma hoenagem à Mulher através deste livro, que é ele próprio uma homenagem do autor à mãe. Uma ideia interessante este cruzamento de motivações. Se entretanto um de nós ler o livro, fica aqui o desafio de dar a conhecer com mais pormenores o enredo.
Abraço, Lalela, e muito obrigada por esta partilha.
Cara Amiga, Conhecendo-te, eu sabia que não ias deixar de responder a essa minha provocação! E logo com um livro com o teu nome!…
Eu queria ter um Pai como o teu para também ter um nome bonito, raro e significativo! Snif, snif, snif!!!
Breve restabelecimento e regresso ao convívio do blogue, mais eclético ” da cultura caboverdiana ! Hahaha !!!