Morreu Aguinaldo Fonseca

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Aguinaldo Fonseca

 

Mindelo, 22.Setembro.1922 – 24.Janeiro.2014

Aguinaldo Fonseca instalou-se em Lisboa em 1945, tendo visto os seus poemas publicados em vários jornais portugueses de então.

Ficou conhecido como “o poeta esquecido”, mesmo depois de ter publicado a colecção Linha do Horizonte, em 1951, e de, sete anos mais tarde, ter reunido uma selecção dos poemas no Suplemento Cultural ao Cabo Verde – Boletim de Propaganda e Informação.

A sua poesia, que é bastante difundida na internet e em obras colectivas editadas diversos países, retrata o ardor cívico e expõe firmemente as injustiças sociais.

Canção dos Rapazes da Ilha

Eu sei que fico.

Mas o meu sonho irá

Levado pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico

Mas o meu sonho irá …

Eu sei que fico

Mas o meu sonho irá

Nos frutos, nos colares

E nas fotografias da terra,

Comprados por turistas estrangeiros

Felizes e sorridentes.

Eu sei que fico mas o meu sonho irá …

Eu sei que fico

Mas o meu sonho irá

Metido na garrafa bem rolhada

Que um dia hei de atirar ao mar.

Eu sei que fico

Mas o meu sonho irá …

Eu sei que fico

Mas o meu sonho irá

Nos veleiros que desenho na parede.

1 comentário em “Morreu Aguinaldo Fonseca”

  1. Que Aguinaldo Fonseca descanse em Paz. Os meus sentimentos à sua família. Os seus poemas eram lindos, sentidos e vividos. Tenho um exemplar de “Linha do Horizonte”, de 1951, por ele autografado em Maio de 1952. Adoro o poema “Identidade”, o qual faz o meu coração bater mais depressa e um nó na garganta invade-me a alma.

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