Júlio Bento de Oliveira nasceu na Vila das Pombas, ilha de Santo Antão, a 29 de Dezembro de 1905.
Foi presidente da Câmara Municipal de S. Vicente de 1947 a 1960. Dedicou-se com afinco à prática e ao estudo da Construção Civil, tendo sido construídos, sob sua direcção, o Eden-Park, a Escola Central João Belo (actual Escola da Praça Nova), o Miradouro do Alto Fortim, a Pousada Baía das Gatas, a Praça Estrela, entre outras realizações.
Foi fundador e Comandante da “Sokols de Cabo Verde” (“Falcões de Cabo Verde”), uma organização que visava a formação socio-desportivo e cultural da juventude e que deixou profundas marcas no seio dos jovens mindelenses.
Trabalhou durante 36 anos no Telégrafo Inglês como chefe da Secção Técnica de Máquinas e Electricidade.
Faleceu a 30 de Abril de 1984.

Quem não se recordará de Julin Oliveira, do Sr. Presidente, homem dinâmico de muitas e diversas obras…Inclusive, foi da sua lavra a primeira experiencia de “asfaltamento”” das ruas do Mindelo, mesmo em frente do Telegrafe, utilizando os óleos queimados da Central eléctrica e não sei que mais…Creio que o produto nunca mais secava e a experiencia ficou-se por aí…Mas ninguem o pode acusar de não ter tentado!
Reparo com uma certa tristeza que sao quase os mesmos ” blogueiros ” da Esquina do Tempo , a comentar as ( velhas figuras ) de Cabo Verde , particularmente de Sao Vicente , o que confirma o que eu disse no meu comentario , a respeito de uma outra figura mindelênse , o seja , que jà somos poucos – ainda neste mundo – os que se lembram dos grandes homens da nossa terra .
Na verdade como disse o Zito e o Valdemar , Julinho Oliveira foi um homem incansàvel .Lembro-me perfeitamente da experiência que êle fez em querer ausfaltar as ruas do Mindêlo , começando pela rua de Telégrafo !.. So que o oleo queimado , material que êle empregou , nao era proprio para isso e ainda mais por cima da calçada !!
Pela sua tenacidade , coragem e energia , êle merece com justa razao esta homenagem !..
Um Criol na Frânça ;
Morgadinho ;
Meu caro Morgadinho,
Afinal, como costuma dizer-se, somos poucos mas bons…A “velha guarda” que nós representamos, prova ser solidária com o seu passado e com aqueles que, melhor ou pior, ajudaram a coinstuí-lo…Mindelo e S.Vicente são, hoje, aquilo que nós e muitos outros quizeram que fosse, com todas as falhas e todas as virtudes que são, afinal, o espelho do proprio ser humano que, não sendo perfeito, não pode almejar a perfeição! Fomos, afinal, felizes no nosso tempo e alguns nem sequer se deram conta disso porque ser feliz é.afinal, o principio e o fim de todas coisas! O nosso passado e a vivencia com os que o destino já levou são o alimento para a nossa alma de participantes num passado que não pode envergonhare ninguem: nem os mortos, nem os vivos!
Braça oertode de un mandrong crioulo…
Caro amigo ZITO , sinto sempre um prazer muito particular , ao ler os teus comentàrios neste blog , que é a Esquina do Tempo , que ninguém sabe porquê ?? Dizem que ( recordar é viver ) se isso é verdade , entao vou viver ainda por muito e muitos anos .
Aceito o teu especial abraço e de mesmo modo retribu – o , ” caboverdianamente ” ;
Morgadinho ;
Meu bom amigo,
Claro que é bem melhor a gente recordar-se dos vivos mas é preciso que alguns de nós se vão mantendo por cá para haver alguém que recorde os mortos, aqueles que, como escreveu Camões, ” por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”…E quando sabemos que o futuro é cada vez mais amanhã, mais a gente se volta para o passado como se, revivendo-o, prolongássemos a nossa vida…É o espírito da sobrevivência que alimenta a certeza de que não abandonaremos os nossos sem dar luta ao destino!
Braça morabe…
Zito
Muito se deve ao “Comandante” (*) mas poucos se lembram dele. Homenagearam na toponimia mindelense gente que merecia menos que este santantonense que “jurou na bandeira de Soncente” onde viveu toda a sua vida de funcionàrio dando o màximo que podia para a sua terra Cabo Verde, primeiro na criação dos Sokols (depois Falcões de Cabo Verde) e depois na Câmara Municipal onde foi Presidente depois de ter sido o Primeiro Vereador e a mola mestra no tempo do Dr. Luiz Terry.
A tentativa falhada do “asfalto” de que diz o amigo e contemporâneo Zito não passou de uma parcela de rua mas o facto de mais relevo foi a electrificação da cidade depois das tentativas de Nhô Pidrim Bunutche (Bonucci & Leça). Julim Oliveira mandou vir dos EEUU dois grandes motores Fairbank’s que montou (sem ajuda de qualquer engenheiro) e passou-se a ter luz com regularidade logo depois do pôr do sol até muito tarde. Pelo menos até eu sair em 1954.
Por curiosidade digo aqui que o primeiro dos motores foi batizado com o nome do seu padrinho “Fairbank’s Roçadas”, do então Governador.
Na altura ainda o Edil não tinha qualquer remuneração e ele ia à Câmara so depois de deixar o trabalho às 16 horas mas o correio urgente era assinado de manhã no seu trabalho na Cable & Wireless depois da Western Telegraph Company.
Muito aprendi com ele ali pois durante uns sete anos ele foi meu chefe nos serviços dos acumuladores que alimentavam a companhia.
(*) Todos os seus adjuntos nos Sokol’s o tratavam por Comandante mesmo depois da extinção da instituição.