“Nôs Terra, Nôs Gente” – Água do Madeiral e da Vascónia em São Vicente

 

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A 27 de Maio de 1886, a Empresa de Águas do Madeiral fez chegar as águas das nascentes do Madeiral à cidade do Mindelo.

 

Essa água era armazenada em depósitos: um no Lombo Tanque, outro no alto do Matadouro Velho e um terceiro na Morada, situado entre o Tribunal e a traseira da Igreja Católica. Essa era a água para toda a serventia da casa, vendida a dois tostões a lata de vinte litros.

 

Ah, havia ainda a água dos fontenários existentes à volta da Morada, Canalona, em Chã de Alecrim, onde as mulheres iam lavar a roupa; Fonte Doutor; Fonte Cónego; Fonte Filipe; Fonte Inês; Fonte Francês; Fonte do Cutú; Fonte de Meio; Fonte Nova; etc.

 

Por essa mesma altura, a Empresa Ferro & Companhia possuía uma pequena frota de navios-tanques, os “vaporins d’ága”, que transportavam água potável das nascentes do Tarrafal de Monte Trigo, em Santo Antão, para abastecimento aos barcos que escalavam o Porto Grande e que tinha o seu depósito no quintalão da Vascónia, situada frente ao edifício da capitania e ao Pelourinho de Peixe. Também vendia água a 4 tostões a lata, porque era de melhor qualidade e usada para beber, normalmente guardada em pote de barro da Boa Vista para se manter sempre fresca.

 

A água dessalinizada, ou a água da JAIDA, só viria a surgir em 1971.

 

Manuel Brito-Semedo

 

7 comentários em ““Nôs Terra, Nôs Gente” – Água do Madeiral e da Vascónia em São Vicente”

    • Fonte de Nho Joao Bintim, ficava ali por aqueles lados da Igreja do nazareno, perto onde ainda hoje existe a casa dos seus familiares. O Dr. Joao Jose Cardoso da silva sabe destas coisas. Porque em tempos havia um espaço sem casas entre praça Nova e Madeiralzinho. Cheguei a conhecer esse poco de não Joao Bintim

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  1. Que bom tomar conhecimento de alguns pormenores da vida da minha Ilha. Outros ainda cheguei a conhecer pessoalmente, atravez das longas conversas com o Sr Nena.

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  2. Obrigado, fiquei a saber algo mais sobre o “meu” Mindelo aonde nuna fui a não ser através do álbum fotográfico do meu pai, expedicionário em São Vicente, em 1941/43… Pequeno pormenor: é lapso do autor quando escreve que   a água, mais cara, de melhor qualidade, que se  vendia  4 tostões a lata, era  “normalmente guardada em pote (e não ponte) de barro da Boa Vista para se manter fresca”… Mantenhas. Lisboa, Tabanca Grande Luís Graça.

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