Foto gentileza da Dra. Gabriela Mariano, Irmã
Ao poeta Gabriel Mariano
(Pela passagem do 10º aniversário da sua morte)
Esperávamos por ti no caminho,
Que não era mais o caminho longe,
Porque toda a distância se consumira
No fogo lento da nossa dor.
Este caminho, já liso e desbravado,
E alumiado com a candeia do nosso sonho,
Surgia agora na encruzilhada dos nossos destinos.
Sabíamos que não era vã a nossa espera,
Pois se o tempo afronta quem desespera
Fermenta a ilusão do coração que ama.
Por isso, não surpreendeu ver-te ao longe,
A caminhar sereno em nossa direcção,
Com a gala definitiva dos eleitos,
E coroado com o louro dos teus feitos.
Vem, junta-te a nós, companheiro,
E abre uma vez mais o teu livro!
Relembremos as nossas teorias
Sobre a outra geometria do mundo,
O mundo que toda a vida procurámos,
Pelas sete partidas da sua arquitectura
E da sua conjectura!
Brindemos pela terra úbere e fraterna,
Pela sementeira e pela safra,
Pela partilha e pela harmonia,
Pela equidade e pela justiça!
Arreie-se a negra bandeira da fome
E reprima-se o ultraje às consciências!
Brindemos pela felicidade humana
Em todas as coordenadas do mundo!
Extinga-se a nostalgia da terralonge,
Apaguem-se as velas de exílio e emigração,
E eliminem-se as ladeiras de sangue
Entre o homem e o seu destino!
(As intenções esvaem-se na cauda do vento
Mas o ideário vive no chão firme do pensamento).
Irriguemo-lo com a água pura e límpida,
Decantada na longa noite da nossa mágoa!
Venham depois madrugadas de promessas
E possamos nós então escutar a sinfonia
Da terra e do homem e da vida em sintonia!
(Foi assim esta última tertúlia, companheiro).
Que mais poderia ter desejado um coração saudoso
Senão um instante de luminosa memória?
Tomar, Fevereiro de 2012
Adriano Miranda Lima
José Gabriel Lopes da Silva Mariano, conhecido como Gabriel Mariano, São Nicolau, 18.05.1928 – 18.02.2002

Algumas, poucas palavras, para recordar o amigo, o cúmplice de muitas manhas escolares, o conversador nato, entusiasta, fogoso, a criança grande, o advogado das causas impossiveis, o flagelado pelos infortunios das suas ilhas, o poeta, o causidico ilustre, o ensaista que me ensinou a teoria da cafrealiização, o homem, o ser honestamente imperfeito, radiante, viciado pela vida que, afinal, tão cedo do nosso convívio o levou…Descança bem, Gaby, nos braços das tuas ninfas!
Caro amigo Adriano M. Lima o seu poema em memoria ao Gabriel Mariano ,pessoa que eu conheci perfeitamente bem ,o comentàrio do nosso amigo “Zito Azevedo” em relaçao ao nosso poeta Gabriel ,nao pude resistir e relembrar aqui nesta Esquina os bons momentos que passei com o Gabriel , nao sò como ( um bom criôl ) bom jogadôr de ” damas ” que se disputava naquele tempo no bar estrela , da Dona Maria Augusta , para depois tomar aquêle “groguinha acompanhôde daquele pastilim ” produto tipico do bar-estrela ; lembro-me ainda das palestras boas conversas do Gabriel ,- entre outros – com o Evandro Matos ,outro personagem mindelense !..Mas do Gabriel Mariano guardo comigo,na minha sensibilidade de mùsico ,os seus poemas com foram musicados pelo um dos maiores compositores de Cabo Verde e de Sao Antao,-personagem que merece também um pequeno espaço nesta Esquina- , Senhor Jacinto Estrela , cujas melodias ficarao para sempre na memoria ” d’m Cabo-verdiano ; entre as melhores ; MUDJER BUNITA & SINA DE CABO VERDE !.. Textos de Gabriel Mariano & mùsicas de Jacinto Estrela ;nao posso deixar de salientar que essas inesqueciveis melodias fazem parte da peça “clandestinos no céu ” do Teatro castilho meu amigo e companhêr ,Valdemar ,que nao me deixa mentir !.. Um Criol na Frânça ; Morgadinho !..
O meu comentàrio vem depois do Morgadim e do Zito. Podia ter sido o primeiro a falar por razões diversas e ainda por ter conhecido, interpretado e encenado Gabriel (“Os Clandestinos no Céu” e “Os Clandestinos na terra”) e ainda por ser amigo e admirador dos autores da homenagem (Manuel e Adriano) mas ser sempre o primeiro acaba por criar desconfiança em certas cabecinhas.
Não falo do poeta, do contista, do escritor ou do jurista. Sô lhe rendo aqui minha Homenagem pela ajuda que me deu para os Teatros do Castilho que motivaram a aparição de outros cunjuntos (Académica e Amarante) dos quais fiz parte dos respectivos elencos. Isso não é de esquecer na medida em essa cultura se encontrava parada desde a ràpida (mas muito proficua) passagem da célebre Troupe Cénica Tropical (TCT).
Falar deste sanicolaense de nascimento, mindelense de adopção e cabo-verdeano de sete costados é justiça.
Pelo que me toca,
Obrigado, Brito Semedo
Obrigado Miranda Lima
Valdemar
Saudades!
Obrigada*
Apenas uma pequenina correcção. O nome do poeta é José Gabriel Lopes da Silva Mariano. Toda e qualquer homenagem fica aquém o saudoso poeta merece. Parabéns pela poesia a ele dedicada.