7 comentários em “Calou-se a Voz da Diva”

  1. Rosas desfalecidas

    à minha amiga Cesária

    As rosas dos melhores dias
    Ontem bem desabrochadas
    ao sol das nossas alegria
    acabaram-se enfraquecidas
    no profundo da minha alma
    hoje bem dolorosa e calma.

    ***
    Porque se aproximou a hora
    quero poder mesmo agora
    saborear o encanto precàrio
    dos meus sonhos em relicàrio
    mesmo sabendo-os sem a chama
    que roubaram à minha alma.

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    • Boa tarde a todos da Esquina ! boa tarde, Valdemar!

      As flores desfalecem e morrem.
      Nesse bouquet, porém, há uma que , embora desfalecida, é uma Diva, e é cantante; digo é por que a grande Cesária continuará a cantar com todo SENTIMENTO  para VERDE CABO, respondendo à MENININHAS DE MONTE SOSSEGO, à LE VENT DU SUD-EST
      Um belo poema para uma bela dama!.


      um abraço a todos
      Yara

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  2. A Cesária parte e ficamos mais pobres, porque o seu legado é daqueles que são raros e insubstituíveis. Lembro-me dela em idade bem jovem, e já com fama de cantadeira de voz inigualável, mas sem nunca supor que um dia viria a ser um ícone da nossa cidade.
    Estes versos sentidos que o seu amigo Valdemar aqui deposita, como flores de despedida, exprimem a mais viva  saudade, a mesma que a diva verteu nas noites de Mindelo e outros lugares do mundo.

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  3. A tristeza invadiu o meu coração quando soube que Cesária tinha partido. Ainda hoje, à tarde, a minha alma fora envolvida pelo seu REGRESSO, uma música que, magicamente, desenha a imagem da minha avó Anita… Anita que, no próximo dia 25, faz dois anos que também partiu.
    Agora, poiso a caneta, o coração chora com SODADE, mas os olhos erguem-se para o céu e contemplam as maravilhosas estrelas caboverdianas que iluminam as nossas noites.
    Cabo Verde, uma Nação grandiosa que povoa o nosso planeta com grandiosas pessoas que vão continuar a brilhar num céu radioso.

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  4. Bom dia estimado amigo, se bom pode ser este triste dia. Mas sendo a eternidade tão maior que a tristeza da perda, que se eternize a “sodade” em lembrança e homenagem, que assim deve ser o luto de um ser e uma voz sem igual,
    Por isso, ontem tomei a liberdade de no nosso (vosso) espaço “Na Rede” destacar este seu post de 27 de Março (http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/69535.html).
    Destaquei agora no SAPO Cabo Verde, em nome desta “nossa” Esquina, este post/homenagem à diva. Porque a “Partida” deixa “Sodade” sim, mas como aqui li, a voz, essa é eterna.

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  5. A Cize morava na Rua Fernando Ferreira Fortes, perto da residência da professora minha amiga D. Zinha e um pouco mais à frente do salão de cabeleireira de outra amiga, a D. Dulce. Nem em 1999 nem em 2001 consegui visitar a diva, a quem teria sido apresentado por alguma delas, se ela ali estivesse. Em 2001, ignoro por que palcos andava. Mas em 99, sei o que me impediu de a conhecer…

    Era tarde de domingo, 1 de Agosto desse ano. Eu queria ver a banda tocar no coreto, morto de saudades desse petisco. E lá andava aqui o Djack “ta rudiá”, até que, já cansado de esperar, encontrou o Dr. Whannon (que conheceu nesse momento), a quem perguntou porque não apareciam os músicos. Ele não sabia. Mas nisto surgiu o José António dos Santos, percussionista da banda municipal (ex-cozinheiro do navio hidrográfico “Pedro Nunes” e ainda então sapateiro) que nos disse que a Cesária estava em Portugal, acompanhada pelo Luís Morais, para ser condecorada pelo então Presidente Mário Soares. Ora o Luís Morais tinha sido substituído por outro músico nas tarefas de direcção do agrupamento e esse facto tinha trazido complicado problema laboral que levou a uma greve. Por isso, o coreto estava deserto. Acabei a ouvir o conjunto do José António, o “Luar”, com uma bela vocalista, no restaurante do topo do edifício do Mindelense, e a devorar um macarrão com camarões…

    Ora aí está como indirectamente a minha vida se cruzou com a da Cize, tendo eu ficado sem ver os músicos nem ouvir o apetecido concerto. Azar que lhe perdoei sempre que ouço cada um dos 12 discos que dela possuo… mais a inolvidável “Lágrimas Negras”, de  Miguel Matamoros, que ela cantou a meias com o Compay Segundo no disco de duetos dele.

    Enfim, da Cize guardo ainda na memória um espectáculo no Coliseu de Lisboa e por antecipação imaginada o seu funeral cujo percurso amanhã, ao fim da tarde, “verei”, até ela entrar no cemitério do Mindelo onde residem respeitáveis companheiros de jornada: B. Lèza, Frank Cavaquim e tantos outros que no além decerto a acompanharão em saborososas serenatas celestiais. Talvez um dia por lá a encontre e finalmente a conheça.

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