‘A Ilha dos Escravos’

 

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A história desenrola-se no século XIX, durante uma revolta de miguelistas exilados em Cabo Verde, e centra-se num triângulo amoroso envolvendo a filha de um fazendeiro, um escravo e um oficial miguelista. Um levantamento de tropas, na cidade da Praia, instigado por oficiais desterrados para o arquipélago, em consequência da derrota dos partidários do infante D. Miguel, na guerra civil portuguesa, é o núcleo histórico do filme. Os rebeldes, contrariando as suas próprias convicções antiliberais, tentam aliciar para seu campo a população escrava, à falta de outros meios humanos que lhes corporizem os desígnios. Conspiração político-militar por um lado, insurreição de escravos por outro, ambas associadas, mas transitoriamente convergentes, e a mistura não podia ser senão explosiva. Se o núcleo histórico do filme é abertamente conflituoso, o núcleo dramático não é menos, com uma tecitura melodramática, que nos remete, em pleno para o período romântico, em que a acção decorre.

M12

País: Portugal

Ano: 2008

Género: Drama

Duração: 100m

Ficha Técnica

Realização: Francisco Manso (Portugal) Interpretação: Ângelo Torres (Guiné-Equatorial), Diogo Infante (Portugal), Milton Gonçalves (Brasil), Vítor Norte (Portugal), Zezé Motta (Brasil)

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JOSÉ EVARISTO D’ALMEIDA terá nascido em Portugal em 1810 e falecido na Guiné em 1856. Esteve radicado em Cabo Verde durante muitos anos, onde deixou descendentes, alguns ainda hoje vivos, como os poetas Silvestre Faria e Amiro Faria. Além de O Escravo, o Autor publicou um folheto intitulado Epístola a…, que tem uma referência a Cabo Verde.

Autor: José Evaristo d’Almeida

Prefácio: Manuel Veiga

Título: O Escravo

Editora: Instituto Caboverdiano do Livro, ICL, 1988

A representação da mulata no romance caboverdiano “O escravo” (1856)

“O escravo” (1856) fundou o gênero romance em Cabo Verde. Foi escrito por José Evaristo de Almeida, um português, branco, que passou grande parte de sua vida nas colônias da África. A heroína do romance é uma mulata de classe média, Maria, idealizada nos moldes românticos. Lembrando que a população caboverdiana é fundamentalmente mestiça, temos uma intenção clara do autor de valorizar na figura da jovem um nativismo caboverdiano. No entanto, quando o narrador exalta as qualidades de Maria, acaba por reproduzir no mestiço aquilo que é entendido como qualidade para o branco europeu. Se tal procedimento não é novidade no contexto literário romântico, o é o fato dessa mulata se apaixonar por um escravo negro e não por um branco europeu. O que move a presente comunicação são as possíveis interpretações desse episódio.

Helder Garmes, USP

 

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